<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877</id><updated>2011-11-16T12:45:22.978-02:00</updated><category term='feitiçaria'/><category term='ônibus'/><category term='infância'/><category term='segurança'/><category term='pobreza'/><category term='calamidades naturais'/><category term='literatura'/><category term='cidadania'/><category term='internet'/><category term='metalinguagem'/><category term='Moçambique'/><category term='alimentação'/><category term='velório'/><category term='tradição'/><category term='tecnologia'/><category term='transporte'/><category term='comércio'/><category term='consumidor'/><category term='saneamento básico'/><category term='publicidade'/><category term='mulher'/><category term='água'/><category term='África'/><category term='transporte público'/><title type='text'>Alguma Prosa</title><subtitle type='html'>Reportagens, jornalismo literário, apontamentos e escritos de todo jeito</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>48</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-6952481679025402647</id><published>2009-01-29T15:29:00.003-02:00</published><updated>2009-01-31T01:06:10.859-02:00</updated><title type='text'>Mudanças</title><content type='html'>Cansei do Alguma Prosa, talvez só por enquanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E criei dois novos endereços:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;http://lucianascimento.wordpress.com/ - com textos jornalísticos, produzidos para as revistas em que trabalho&lt;/li&gt;&lt;li&gt;http://lucianascimentoblog.wordpress.com/ - no qual tentarei escrever mais sobre o dia-a-dia, fazer um blog de verdade&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;Além da minha conta de fotos no Flickr, que vou tentar movimentar: http://www.flickr.com/photos/lucianascimento/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser visitar, será bem-vindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-6952481679025402647?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/6952481679025402647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=6952481679025402647&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/6952481679025402647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/6952481679025402647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2009/01/mudancas.html' title='Mudanças'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-8035175853027994245</id><published>2008-06-27T10:48:00.000-03:00</published><updated>2008-06-27T10:56:34.062-03:00</updated><title type='text'>Use com prudência</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;i&gt;A utilização de celulares por crianças tem aumentado a preocupação de especialistas sobre a relação – ainda incerta – entre uso do aparelho e surgimento de doenças como o câncer. Limitar o uso é a principal dica para evitar riscos&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oferta de produtos de telefonia móvel aumenta a cada dia e as empresas têm investido pesadamente para ampliar sua inserção entre as crianças. Segundo uma pesquisa do Ibope Net/Ratings divulgada no segundo semestre do ano passado e que ouviu sete mil crianças de doze países, os brasileirinhos são os que mais usam o celular: 81% utilizam o aparelho três ou mais vezes por semana, 50% a mais do que as crianças japonesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O celular pode proporcionar sensação de segurança aos pais, que podem encontrar seus filhos onde estejam, mas é preciso ficar atento à relação de custo e benefício. “Você oferece um risco adicional à criança dando um celular a ela [com relação à probabilidade de desenvolver algum tipo de câncer]”, afirma Silvana Turci, responsável pela área de Vigilância do Câncer Ocupacional e Ambiental do Instituto Nacional de Câncer (Inca). “Criança não tem que ter celular”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso porque a espessura do crânio nas crianças é cerca de quatro vezes menor do que nos adultos, permitindo maior penetração das ondas eletromagnéticas emitidas pelo aparelho. E, ainda, porque suas células se reproduzem mais rapidamente, deixando-as mais suscetíveis a qualquer risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em países como a Inglaterra, os governos recomendam que as crianças e os adolescentes sejam desestimulados a falar em celulares, limitando-se ao essencial. Na França, por exemplo, há alguns anos foi imposta uma lei que proibiu o uso de celulares nas escolas, para preservar os pequenos das ondas eletromagnéticas. Na ocasião, os parlamentares franceses chegaram a levar a questão à Organização Mundial da Saúde (OMS), discutindo sobre a necessidade de fazer pesquisas específicas sobre o assunto. Até hoje, no entanto, nada muito relevante foi publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;Riscos para adultos&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contrapartida, pesquisas sobre os riscos da radiação eletromagnética para o organismo de adultos são divulgadas aos montes. E os resultados são os mais diferentes que possamos imaginar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um estudo israelense publicado no American Journal of Epidemiology em dezembro passado afirmou que as emissões de radiofreqüência e de microondas dos celulares aumentam o risco de câncer nas glândulas salivares. O risco de desenvolver um tumor maligno nessas glândulas é 50% maior quando o aparelho é usado durante 22 horas por mês. E é ainda maior se a mesma orelha for sempre utilizada. A pesquisa foi realizada entre 2001 e 2003, e avaliou o número de anos em que as pessoas usaram o celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já um estudo japonês divulgado há dois meses chegou à conclusão de que o uso de celular não aumenta as chances de desenvolver câncer cerebral. Nesse caso, os cientistas analisaram 1 mil pessoas (com diversos tipos de tumores e também saudáveis) durante seis meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro estudo, esse sueco, de 2006, constatou exatamente o oposto. Os pesquisadores estudaram o uso de celulares por 4,4 mil pessoas (metade pacientes com câncer e metade pessoas saudáveis) e concluiu que usuários intensos de celular têm risco 240% maior de desenvolverem tumor maligno do lado da cabeça em que usam o aparelho. Eles definiram como uso “intenso” do celular um tempo superior a duas mil horas – o que equivale a uma hora de uso por dia no local de trabalho, durante 10 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saber em qual pesquisa se basear, o consumidor encontrará dificuldade. Este não parece ser um assunto em que existe algum consenso entre pesquisadores e especialistas. De acordo com Renato Sabbatini, coordenador do Comitê Latino-americano de Campos Eletromagnéticos de Alta Freqüência e Saúde Humana, “devido à variabilidade biológica e às falhas dos estudos, pode-se esperar que até 5% dos trabalhos mostrem resultados negativos para a saúde, sem que isso signifique que os efeitos realmente existem”. Para ele, “não há motivos para preocupação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silvana, do Inca, também explica as diferenças dos estudos pela forma como são elaborados, mas não acha que prevenir seja exagero: “é difícil analisar uma comunidade que utilize o mesmo aparelho, fale pelo mesmo tempo etc. Mas, como outros compostos que podem ser cancerígenos, demora alguns anos para que se tenha essa certeza [de que são ou não cancerígenos]. Até lá vale a prevenção.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A especialista faz um paralelo com o câncer de pele. Voltar da praia com o corpo vermelho e cheio de bolhas não significa que a pessoa terá câncer de pele. Mas se essa situação se repetir todos os finais de semana, as chances de desenvolver a doença aumentam. O mesmo pode-se pensar com relação ao uso de celulares: com o tempo e a freqüência de uso, os riscos se multiplicam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com Álvaro Augusto Almeida de Salles, professor da área de engenharia elétrica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), “como a maior parte do dinheiro das pesquisas vem da indústria de telecomunicações, muitas têm resultados distorcidos, cobrindo apenas dois ou três anos de análise. Para podermos relacionar o uso de celular ao câncer cerebral, por exemplo, é necessário estudar a população por pelo menos oito ou dez anos.” Segundo o pesquisador, todos os estudos que cobrem esse período chegam a resultados preocupantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;Como funciona o celular&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você faz ou recebe uma ligação pelo celular, um sinal é emitido pelo aparelho e captado pela antena de telefonia móvel (estação rádio-base) mais próxima. Haverá uma troca de sinais entre antenas e é isso que garante a conversação sem perda de sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para você conseguir conversar, as antenas do aparelho e da estação rádio-base emitem radiação eletromagnética de baixa freqüência. Como o aparelho é usado grudado na orelha, parte dessa radiação é absorvida pela cabeça do usuário e outra parte será responsável pelo contato com a torre de transmissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O efeito térmico dessa recepção de radiação na cabeça é, principalmente, o aquecimento da orelha, que percebemos após uma conversa ao celular. Os efeitos biológicos, que se dariam pela interferência que essa radiação pode causar no organismo depois de ser absorvida, ainda são controversos, mas especialistas acreditam que o uso intenso, a longo prazo, possa causar inclusive alguns tipos de tumor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;Limites de exposição&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Idec contatou os principais fabricantes de aparelhos celulares do país para confirmar a sua prática quanto à exposição dos consumidores à radiação eletromagnética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Benq, a Motorola e a Nokia informaram que todos os manuais de seus produtos mencionam o nível de radiação a que o consumidor está exposto e que todos estão abaixo do limite de radiação recomendado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Samsung informou apenas que “disponibiliza, nos manuais do usuário, informações sobre uso, conservação e manutenção dos aparelhos”, não deixando claro, portanto, se disponibiliza em seus produtos as informações que o consumidor deve ter sobre nível de radiação. A LG se limitou a dizer que não tem um porta-voz para falar sobre o assunto no momento. Gradiente e Sony Ericsson não responderam à solicitação do Instituto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estabeleceu regras para essa exposição, baseadas no padrão da ICNIRP, um órgão internacional especializado no assunto. O limite estabelecido para a taxa de absorção específica, conhecia como SAR na sigla em inglês, é de 2W/kg. É uma medida de potência absorvida por unidade de massa de tecido. Para muitos especialistas, no entanto, essas regras são obsoletas, pois só levam em consideração os efeitos térmicos, deixando de lado os riscos biológicos a que o consumidor se expõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os riscos térmicos só existem se os limites, atualmente em vigor na resolução 303 da Anatel, forem atingidos ou ultrapassados. Esses riscos correspondem a exposições agudas e de curta duração. Essa resolução, entretanto, não considera os efeitos não-térmicos –crônicos e de duração prolongada –, que incluem, entre outros, dores de cabeça freqüentes, distúrbios do sono, comprometimento da memória e de funções cognitivas, cansaço, má-formação fetal, déficit de atenção, autismo, comprometimento do sistema imune, câncer, mal de Parkinson e mal de Alzheimer”, esclarece Francisco de Assis Ferreira Tejo, coordenador do Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;Princípio da precaução&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje não há provas conclusivas dos efeitos biológicos que a radiação eletromagnética emitida pelos celulares pode ter no corpo humano. Por isso, é importante adotar uma série de cuidados para se precaver. “Se pode existir risco, se exponha o menos possível ou não se exponha”, alerta Silvana Turci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ter cautela é válido. O celular pode oferecer perigo, mas também oferece benefícios ao usuário. O jeito é equilibrar”, orienta Luiz Paulo Kowalski, diretor do departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital A. C. Camargo, referência no tratamento de câncer em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As principais dicas são:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt; use o celular apenas quando for imprescindível, e pelo menor tempo possível; &lt;br /&gt;&lt;li&gt; prefira usar o telefone fixo ao celular; &lt;br /&gt;&lt;li&gt; alterne as orelhas em que costuma usar o aparelho; &lt;br /&gt;&lt;li&gt; use viva-voz ou fones de ouvido sempre que puder; &lt;br /&gt;&lt;li&gt; limite ao máximo o uso pelas crianças e adolescentes; &lt;br /&gt;&lt;li&gt; antes de comprar, leia o manual do produto e verifique os níveis de SAR, ou seja, preste atenção no nível de radiação que o aparelho emite; &lt;br /&gt;&lt;li&gt; evite usar o aparelho em automóveis e enquanto dirige.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;Risco para quem não tem celular&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A radiação eletromagnética também é emitida pelas antenas de transmissão de telefonia móvel. Assim, mesmo quem não usa o celular está sujeito a absorver essa radiação. Nesse caso, as pessoas que moram próximo a estações rádio-base são as mais prejudicadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos Peres, diretor executivo da Associação Brasileira de Defesa dos Moradores e Usuários Intranqüilos com Equipamentos de Telecomunicação Celular (Abradecel), é enfático: “ou você abaixa a potência dessas antenas – como fizeram em Porto Alegre e na Suíça, por exemplo, onde a potência permitida está cem vezes abaixo da estipulada pela ICNIRP; ou você aumenta o recuo das pessoas, pois quanto mais longe elas ficarem das antenas, mais protegidas estarão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, o que vale é a precaução. “É claro que a população não terá câncer apenas porque vive com uma antena ao lado. Existem outros fatores, mas esse é um co-fator”, alerta. E, por isso, deve ser levado em consideração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamos as principais operadoras de telefonia móvel sobre sua prática na instalação de antenas de transmissão. A Claro informou que cumpre as normas estabelecidas pela Anatel, confeccionando laudos e realizando medições práticas de forma que garanta o cumprimento dos limites máximos de exposição eletromagnética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Telemig, a TIM e a Amazônia Celular disseram que também cumprem a determinação da Anatel e elaboram um relatório de conformidade eletromagnética para cada antena instalada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A OI se limitou a dizer ao Idec que, por um procedimento padrão da assessoria de imprensa, não atende solicitações que não sejam feitas por grandes veículos de mídia. E a Vivo não retornou até o fechamento desta edição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a Anatel, em janeiro deste ano existiam 36.373 estações rádio-base instaladas no Brasil e, antes de qualquer antena ser implementada, as empresas são obrigadas a apresentar um projeto à agência mostrando que respeitam as regras para emissão de radiação eletromagnética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, por enquanto, o consumidor que desconfia de uma antena ilegal perto de sua residência ou de seu local de trabalho não tem muito o que fazer, além de entrar em contato com a Anatel ou a Abradecel e denunciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;Saiba mais:&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt; Abradecel: &lt;a href="http://www.abradecel.org.br/"&gt;&lt;span style=""&gt;www.abradecel.org.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;li&gt; Anatel: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;" lang="EN-US"&gt;&lt;a href="http://www.anatel.gov.br/"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;www.anatel.gov.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-8035175853027994245?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/8035175853027994245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=8035175853027994245&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/8035175853027994245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/8035175853027994245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2008/06/use-com-prudncia_27.html' title='Use com prudência'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-5388990166167441085</id><published>2008-04-22T23:48:00.003-03:00</published><updated>2008-04-22T23:56:26.149-03:00</updated><title type='text'>Passagem das horas, de Álvaro de Campos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;Trago dentro do meu coração,&lt;br /&gt;Como num  cofre que não se pode fechar de cheio,&lt;br /&gt;Todos os lugares onde estive,&lt;br /&gt;Todos  os portos a que cheguei,&lt;br /&gt;Todas as paisagens que vi (...),&lt;br /&gt;sonhando,&lt;br /&gt;E  tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...&lt;br /&gt;Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...&lt;br /&gt;Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,&lt;br /&gt;Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir&lt;br /&gt;E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentir tudo de todas as maneiras,&lt;br /&gt;Viver tudo de todos os lados,&lt;br /&gt;Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,&lt;br /&gt;Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;  Num só momento difuso, completo e longínquo. (...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-5388990166167441085?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/5388990166167441085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=5388990166167441085&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/5388990166167441085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/5388990166167441085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2008/04/passagem-das-horas-de-lvaro-de-campos.html' title='Passagem das horas, de Álvaro de Campos'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-2703749775637364449</id><published>2008-03-21T15:47:00.003-03:00</published><updated>2008-03-21T16:22:13.384-03:00</updated><title type='text'>Conversa com Laurentino Marques Antique</title><content type='html'>Dias atrás recebi e-mail de um conhecido moçambicano, que vi um único dia na Ilha de Moçambique. Ele trabalha com jornalismo lá e por isso trocamos e-mails.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No e-mail, ele disse que estava muito mal, se recuperando de uma crise de malária. No dia seguinte, me encontrou online e começou a conversa abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante o quão diferentes são nossas culturas e o jeito de dizer as coisas, por isso copio a conversa aqui. Eu me divirto nessas conversas. Copio literalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; oi, tas bem Lúcia&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; oi, laurentino. estou bem, e você? como está a recuperação?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; melhor, finalmente tas no bate bapo!&lt;br /&gt;tas muito ocupada?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; hehehe, sempre fico com o e-mail ligado. trabalho usando ele, né?&lt;br /&gt;tô escrevendo um texto agora, sobre uso de celular&lt;br /&gt;e vc, tá na faculdade?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; Nao, tou a fazer algumas pesquisas na net e lembrei-me de ti&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; pesquisas sobre o quê?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; matemática cadeira de Geometria algumas figuras.&lt;br /&gt;Já conseguiste um outro namorado ou ainda tas se ocupando com trabalhos cientificos?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; estou me ocupando dos dois, hehe.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; veja que de certo, eu sempre almejei tudo de bom para ti.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; ah, obrigada&lt;br /&gt;e a sua namorada, como está?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; Ela esta bem, e felismente és a primeira pessoa a saber k ta grávida de 2 meses&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; olha só. Parabéns!&lt;br /&gt;vcs estão felizes?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; agora sim tamos, eu tentei esquecer tudo e viver nova vida, dai levei a ela pra um lugar turistico fora da cidade e transamos muito durante uma semana e fruto disso é...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; Ah...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; mas ninquem sabe na familia dela e na minha apenas nos os tres o que faço agora? &lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; vc acha que a reação da família dela será ruim? acho que o melhor é sempre falar.&lt;br /&gt;minha irmã também está grávida. soubemos há 6 meses&lt;br /&gt;a família fica um pouco perdida, mas acaba aceitando bem - eu acho&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; a familia vai gostar muito, o pior é que ainda não arrumei a cerimonia de casamento&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; entendi... e vc já tá planejando o casamento?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; já sim em Julho, e ai queres o meu convite?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; ah, fico feliz de você me mandar o convite. só não sei se conseguirei voltar já para moçambique.&lt;br /&gt;vcs costumam fotografar o casamento?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; sim, farei ate um vídeo. se não poderes vir envio para ti.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; ah, que ótimo! gostaria muito de assistir&lt;br /&gt;e vcs já conseguiram juntar o dinheiro para se casar?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; é o que tou fazendo agora, querias contribuir? e eu tabém farei no seu. não acha?&lt;br /&gt;é o que tou fazendo agora. querias contribuir? e eu farei no seu. não acha?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; claro. gostaria de ajudar na preparação da cerimônia, sim. me passe depois uma lista de coisas que vocês costumam receber e eu vejo qual delas está dentro das minhas possibilidades&lt;br /&gt;pode me passar por e-mail&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; Tá. é assim mesmo, eu também tou preparando um livro tipo romance, tou confiando em si na revisão, pode ser?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; posso ler, sim. com prazer. mas acho que não posso fazer sozinha revisão, pois nossos jeitos de falar são diferentes, não acha? também precisa de uma revisão de alguém de Moçambique. eu acho&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; acho sim, dai seras a 2 pessoa.&lt;br /&gt;um romance k vai falar da coragem que voces mulheres tem para aolcançar um objectivo. vai ser interessante acho eu!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; legal! e já começou a escrever?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Laurentino:&lt;/strong&gt; já sim ainda tou com um 1/4 da obra. Quero ter nome na literatura moçambicana e monstrar ao mundo que conheço a mulher na sua componente interior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-2703749775637364449?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/2703749775637364449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=2703749775637364449&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/2703749775637364449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/2703749775637364449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2008/03/conversa-com-laurentino-marques-antique.html' title='Conversa com Laurentino Marques Antique'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-7532916593121838704</id><published>2008-02-29T20:37:00.004-03:00</published><updated>2008-02-29T21:02:46.336-03:00</updated><title type='text'>Cuidado com a pizza</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;i&gt;As pizzas congeladas trazem grandes quantidades de sódio e de gorduras. Nos rótulos, faltam informações sobre formas de armazenamento, SACs e reciclagem das embalagens&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Sexta-feira à noite é hora de comer pizza. O cheiro da massa assada e do queijo derretido dão água na boca até quando a pizza é das mais simples. Mas... e se você soubesse que em apenas duas fatias vai consumir todo o sódio que comeria em 20 pratos – isso mesmo, 20 pratos – de filé de frango, brócolis, arroz, feijão e salada de alface, pepino, cenoura e beterraba? Talvez a vontade não diminua, mas é interessante saber o quanto dois pequenos pedaços nos trazem de calorias e de nutrientes. O Idec analisou o rótulo de 20 pizzas congeladas e encontrou quantidades absurdas de sódio e de gorduras saturadas.&lt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Em média, duas fatias contêm 1200 miligramas de sódio, metade do que um adulto pode consumir durante o dia todo. Além dos 20 pratos de filé de frango, a quantidade também é a mesma que se obtém comendo 6,5 pratos de bife à milanesa com arroz, feijão e salada de maionese. Ou, ainda, o mesmo que encontramos em 1,5 prato de macarronada a bolonhesa, caprichando no queijo ralado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Já se o consumidor comer dois pedaços da pizza de mussarela das marcas Carrefour, CompreBem, Extra, Frescarini ou Wal-Mart, terá ingerido 65% do recomendado para o dia inteiro. E isso só em uma refeição. Essas são as pizzas que declaram maior quantidade de sódio por porção, chegando a 769 mg na fatia da Frescarini.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;As que declaram menor quantidade de sódio por pedaço são as pizzas de marca própria do supermercado Dia%. A de mussarela contém 340 mg e a de calabresa, 337 mg. Só que, mesmo nessas, em apenas dois pedaços o consumo de sódio será o mesmo que em 8,5 pratos de estrogonofe de carne com arroz e batata frita. Ou o mesmo que se obteria depois de comer quatro pratos de filé de peixe frito, com arroz à grega e quatro colheres bem cheias de purê de batata.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;De acordo com Deborah Bastos, agrônoma e professora da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), o sódio conserva o alimento, pois diminui a atividade da água e, assim, impede o crescimento e a proliferação de microorganismos. Também é usado para realçar o sabor dos alimentos e por isso o encontramos em quantidades tão grandes nos produtos industrializados.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;O problema é que a ingestão exagerada do nutriente pode levar à hipertensão arterial, doença que acarreta problemas cardiovasculares e aumenta a retenção de líquidos, contribuindo para a obesidade. E quem está acima do peso, independentemente da idade, tem mais chances de ter problemas ortopédicos, respiratórios e gastrintestinais. É motivo suficiente para os consumidores mais radicais nunca mais colocarem um pedaço de pizza na boca. Mas como se alimentar também é sentir prazer com a comida, a dica não é deixar de comer. É só não exagerar, e equilibrar o consumo de alimentos como pizzas congeladas com o de legumes, verduras e frutas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Recheio gorduroso&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Das 20 pizzas analisadas (das marcas Batavo, Dia%, Carrefour, CompreBem, Extra, Frescarini, Pão de Açúcar, Perdigão, Sadia, Sonda e Wal-Mart/Great Value), 13 têm quantidades bem grandes de gorduras saturadas. As campeãs são as de mussarela da Sadia e da Perdigão, respectivamente com 20 g e 11,4 g de gorduras saturadas em apenas duas fatias. Como a recomendação de ingestão diária é de no máximo 22 g, se o consumidor comer duas fatias da pizza de mussarela da Sadia, não poderá ingerir mais nenhum alimento com gorduras no dia, o que seria bem difícil.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;A mesma quantidade de gordura saturada (20 g) é encontrada só em dois dos pratos mais calóricos da culinária brasileira: o virado à paulista (com tutu de feijão, lingüiça, bisteca, banana empanada, ovo frito, torresmo e couve) e a tradicional feijoada (com arroz, feijão, carnes, torresmo, couve e laranja).&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;No geral, as pizzas de mussarela contêm mais gorduras que as de calabresa, diferente do que se possa imaginar. Por isso, é importante conferir os rótulos e escolher os sabores também pela quantidade de nutrientes que possuem.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Já quando analisamos as gorduras trans, as pizzas de marca própria do supermercado Dia% são as piores. Duas fatias – seja de mussarela ou de calabresa – contêm 1,5 g de gorduras trans, grandes responsáveis pelo aumento do colesterol ruim e pela incidência de doenças cardíacas. Não há recomendação diária desse tipo de gordura para um consumo seguro, mas o limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 2 g por dia.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Em dois pedaços das pizzas do Dia%, o consumidor vai ingerir a mesma quantidade de trans que há em 25 pratos de filé de frango com brócolis, ou ainda, o mesmo que há em 6,5 pratos de lasanha ao sugo feita em casa, com recheio de presunto e queijo, molho de tomate e queijo parmesão ralado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Como as gorduras trans também estão presentes em grande parte dos alimentos industrializados (como margarinas, cremes vegetais, biscoitos, sorvetes, salgadinhos, produtos de panificação e alimentos fritos), é difícil que no mesmo dia o consumidor não coma outros tantos gramas dessa gordura. A dica é ficar de olho nas pizzas que têm mais recheio, pois nessas as chances de encontrar altos teores de gorduras é maior, já que o queijo e as carnes são alimentos ricos nessa substância.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Rótulos ruins&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Infelizmente, um rótulo não é bom apenas por ter fotos que dão água na boca. Algumas informações são importantes para o consumidor ter como optar por uma marca ou sabor, entre elas as formas de conservação e de preparo do produto, seu prazo de validade, a informação nutricional por porção, os ingredientes da massa e do recheio, e os dados do fabricante, junto com um telefone para contato dos consumidores.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;O artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) garante que “a oferta e a apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidade, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem (...)”. Assim deveria ser, mas na prática muitos problemas ultrapassam o CDC e continuam nas prateleiras dos supermercados.&lt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;O problema começa com o tamanho das porções indicadas, que varia entre 40 g e 200 g. A (des)informação dificulta a escolha, pois é necessário fazer diversas contas para saber qual é a pizza mais indicada para cada tipo de alimentação.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Para quem tem restrições alimentares, a situação é ainda pior. Um consumidor hipertenso que decide comer pizza deve ter cuidado para que sua pressão não sofra com a escolha. Para isso, ele procura uma que tenha baixa quantidade de sódio. Como não é especialista no assunto, encontra a pizza de calabresa do Sonda, que informa ter quantidade menor do que cinco gramas do nutriente, e a coloca no carrinho. No entanto, a embalagem apresenta um erro grotesco: o sódio é medido em miligramas, ou seja, ter quantidade inferior a cinco gramas significa ter menos do que 5 mil miligramas de sódio, quantidade maior do que o indicado para ser consumido em dois dias! Nesse caso, se o consumidor sofrer qualquer dano por causa da ingestão do alimento, poderá reclamar seus direitos para a empresa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Da mesma forma, a pizza de calabresa da Perdigão não informa a quantidade de sódio, mas coloca a quantidade de cálcio na tabela de informações nutricionais. O consumidor pode se perguntar se a empresa errou o nome do nutriente ou se de fato não informa a quantidade de sódio (o que é obrigatório). Novamente, não estará certo sobre a informação nutricional correta.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Já as pizzas do Pão de Açúcar informam apenas os ingredientes do recheio. Como o consumidor não vai jogar a massa no lixo para comer só a mussarela, deveria encontrar informações também do que compõe o “disco de pizza”, como é listado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;As formas de conservação também são pouco esclarecedoras em oito das embalagens, que indicam apenas a temperatura para armazenamento. O Idec considera que uma boa indicação de armazenamento deve trazer não só a temperatura, mas também o local em que o consumidor obtém essa temperatura: se na geladeira, no congelador ou no freezer.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Os problemas continuam na hora de reclamar de irregularidades ou de pedir esclarecimentos às empresas. As pizzas do Pão de Açúcar não indicam o endereço da empresa e as do Sonda não informam o telefone do Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC).&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;O Idec também conferiu quais empresas têm se preocupado com a preservação do meio ambiente e a constatação é ruim. Apenas as embalagens das marcas Batavo, CompreBem, Extra e Wal-Mart/Great Value informam que podem ser recicladas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Válido até 2009&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Há dez anos, o Idec fez um teste com massas de pizza e, na época, era preocupante a quantidade de conservantes usada para garantir o prazo de validade, que chegava a dois meses. No caso da atual pesquisa com as pizzas congeladas, os prazos de validade variam entre dois e cinco dias (para as pizzas refrigeradas do Pão de Açúcar e do Sonda, respectivamente) e um ano (para as pizzas congeladas do Dia%). É fundamental prestar atenção a essa informação, para não ingerir um alimento estragado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Como nos rótulos atuais não encontramos informações sobre conservantes, entramos em contato com todas as empresas, para saber o que havia mudado nesse tempo. As que nos responderam até o fechamento desta edição foram:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;» Compre Bem, Extra, Pão de Açúcar e Sadia, que informaram não utilizar conservantes em suas pizzas. As empresas afirmaram que a conservação nas temperaturas indicadas já garante a preservação dos produtos. De fato, hoje existem técnicas de processamento que permitem conservar o alimento sem adicionar conservantes, mas isso só acontece se a temperatura de conservação for seguida rigorosamente tanto pelos pontos de venda quando pelo consumidor&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;» Batavo e Perdigão, que informaram usar o sorbato de potássio como conservante: “devido aos problemas na cadeia de frio (pontos de venda) se faz necessária a aplicação de conservantes como o sorbato de potássio, que tem como função o controle do crescimento microbiano, em concentração permitida pela legislação vigente”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*Reportagem também publicada na edição de fevereiro da Revista do Idec&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-7532916593121838704?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/7532916593121838704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=7532916593121838704&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/7532916593121838704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/7532916593121838704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2008/02/cuidado-com-pizza.html' title='Cuidado com a pizza'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-8957597936733353274</id><published>2007-11-29T20:31:00.000-02:00</published><updated>2007-11-29T20:35:47.464-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><title type='text'>Uma mulher moçambicana</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Paulina Chiziane fala baixo, como se ninasse um bebê. É escritora e trabalha em um programa das Nações Unidas para a promoção da mulher na Zambézia, uma das províncias de Moçambique. Hoje e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;stá vestida como manda a tradição: uma roupa colorida, feita com panos de capulana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversamos em uma tarde de sol, na pensão em que me hospedei em Quelimane, capital da província. Ela fala da condição da mulher, das diferenças que existem entre as regiões do país, das influências que recebeu para se interessar pela luta das mulheres. Seu único livro publicado no Brasil, pela Companhia das Letras, se chama &lt;i&gt;&lt;i&gt;Niketche: uma história de poligamia&lt;/i&gt;.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;Como começou a sua luta pelos direitos da mulher em Moçambique?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;Paulina Chiziane (PC)&lt;/i&gt;: Nas sociedades como a nossa, onde há guerras, catástrofes, migração assídua, os homens vão embora. As mulheres ficam e são elas que movem a vida. Mas quando chega a hora de retratar a mulher, de lhe dar algo, os homens são ausentes. Constato isso por toda minha vida. Descubro que existe o mundo da mulher que ninguém conhece ou que poucos conhecem; ou que só as próprias mulheres conhecem. Há de ser por isso que entrei nessa luta.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;Você costuma dizer que existe uma diferença grande na relação homem-mulher e na maneira como as mulheres se vêem no sul e no norte do país. Como se dá essa diferença? Isso é marcante ainda hoje?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;PC&lt;/i&gt;: É uma situação absolutamente atual. Aqui na Zambézia (e daqui para o norte do país) temos cidades marcadamente matriarcais. As mulheres têm voz mais ativa, têm um lugar social e têm algum poder. Por exemplo, quando vou às comunidades rurais desta província encontro histórias de mulheres que dizem: “eu não tenho uma relação sexual com meu marido há dois meses e por isso convoquei uma reunião de família”. Eu nunca tinha imaginado que isso acontecesse, mas aqui no norte acontece. O prazer sexual é um direito importante da mulher e as pessoas falam disso abertamente, nos seus grupos. Convocam a família para expor a situação.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;Convocam a família dela ou a do marido também?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;PC&lt;/i&gt;: A família dela primeiro, para discutir a questão. Depois desse passo, os mais velhos se responsabilizam por levar as informações para a família do marido, propondo uma solução. É incrível. Já no sul do país isso acontece pouco. Se o homem é impotente, não tem um desempenho saudável, a mulher tem que suportar, porque ela foi adquirida para isso, para suportar e mais nada. Até na maneira de se vestir as mulheres do norte são diferentes. Elas têm um colorido que alegra.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;O vestuário tem a ver com a relação delas com o marido? Com o pai?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;PC&lt;/i&gt;:&lt;i&gt; &lt;/i&gt;Sim, tem a ver com a visão da vida e do mundo. Para elas a mulher tem que ser bela, alegre, agradável, sexualmente satisfeita. Nós não. Eu sou do Sul, e no sul a mulher tem que dizer “sim” a todas as coisas. A mulher é algo que deve ficar guardado em um cofre ou no guarda-roupa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;E você sabe me dizer qual é a origem dessa diferença?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;PC&lt;/i&gt;:&lt;i&gt; &lt;/i&gt;O sistema matriarcal. A partir da Zambézia, caminhando para o Norte, todas as regiões são matriarcais. A linhagem é pela via feminina. Quando há um casamento é o homem que se desloca para a família da mulher e lá fica, constrói a família e a casa. Quando os filhos nascem ganham o sobrenome da mãe e quando o casamento se dissolve é o homem que parte. As decisões desta região matriarcal não pertencem especificamente à mulher, mas ao irmão dela, ao tio dela. Assim, claro, decidem a favor da mulher. É por isso que elas possuem um estatuto que as mulheres do sul não têm. Também é interessante a abordagem das relações amorosas. No sul, a mulher faz de tudo: penteia-se, pinta-se, faz danças na frente do homem para que ele lhe diga algo. No norte não. A mulher diz ao homem: “gostei de ti, quero casar contigo, tranqüilamente”. (risos) De uma forma aberta, clara. Às vezes chega a dizer: “o senhor passou por aqui e não me viu, mas eu vi e gostei. Quer namorar comigo?” Fiquei chocada no princípio, mas me habituei. Se no sul uma mulher faz isso, recebe os apelidos mais horríveis. No dia seguinte todos falarão mal dessa mulher.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;Existe um trabalho grande de conscientização com relação ao vírus HIV: cartazes pelas ruas, desenhos nas calçadas, propagandas na televisão... Esse trabalho alcança a população?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;PC&lt;/i&gt;:&lt;i&gt; &lt;/i&gt;Nós tivemos uma guerra terrível. A guerra acabou, mas agora temos a malária. É impressionante o número de pessoas que morrem com a malária, é impressionante o número de pessoas que morrem com cólera. Valerá a pena fazer a prevenção? Essa é a questão que fica na cabeça das pessoas. Infelizmente, mesmo a campanha sendo tão grande, o número de infectados não pára de aumentar. Acredito que seja por causa disso.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;Qual a relação das mulheres com a religião, atualmente?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;PC&lt;/i&gt;: Quando o país ficou independente, o sistema socialista adotado colocou em causa todas as igrejas e religiões: islâmica, tradicional, cristã. À medida que aumentou a guerra civil, o desespero foi grande e muitas pessoas se voltaram novamente para a religião. Hoje, a igreja tem um peso muito forte. É uma das novas formas de identidade.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;E no mercado de trabalho, quais as mudanças para as mulheres?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;PC&lt;/i&gt;: É um processo. Cada vez mais mulheres vão trabalhar e cada vez em melhores posições. Em toda a história de Moçambique, a mulher nunca esteve tão bem como agora. Somos um dos poucos países africanos onde a posição da mulher em termos políticos e em termos sociais é boa. A libertação nacional colocou a mulher em um campo de batalha, ela participou da guerra: foi o primeiro grande passo. Depois, a orientação marxista colocou a comissão da mulher na agenda política e alterou a legislação. Houve campanhas para a educação das raparigas. Hoje as mudanças são visíveis: temos um bom número de mulheres governando. Temos uma primeira ministra, uma das coisas mais extraordinárias que aconteceu no nosso país. Nas empresas privadas a mulher também conquistou postos de poder. Nas zonas rurais, entretanto, a situação ainda é diferente. As mudanças demoram a chegar. Mesmo assim, há um bom número de mulheres que sabem ler e escrever. Nas zonas matriarcais, há ainda as chefes tradicionais, chamadas de rainhas. A liderança da maior parte dos grupos tradicionais se concentra nessas mulheres. Mas o poder delas não significa riqueza. Entre a casa da rainha e a casa vizinha não se notam diferenças.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;E como é a vida dessas rainhas? Qual o papel delas na sociedade?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;PC&lt;/i&gt;: Em abril fui a uma região afetada pelas cheias, e tive que trabalhar com uma rainha. Quando ela chegou, eu pensei: “meu Deus, mas o que ela tem de rainha?”. Tínhamos que fazer palestras sobre a Aids, porque havia uma concentração de pessoas que não se conheciam, que fugiram das cheias e se concentravam ali. Tínhamos que fazer a distribuição de itens básicos de alimentação e higiene, mas estava uma confusão enorme. Todos queriam ser os primeiros. A polícia estava presente, os chefes formais também, mas ninguém conseguiu controlar a situação. Nesse momento a rainha disse: “sentem-se”. Apenas levantou a mão e todos se sentaram. E completou: “a distribuição será feita por famílias. Vou chamar as famílias da zona do Sol Nascente. Levantam-se!” Levantaram-se somente as famílias chamadas e foram buscar a sua comida, o seu sabão, na maior ordem. “Agora levantem-se os do Sol Poente!” Foi impressionante, não houve quem pudesse controlar a população da forma como aquela mulher fez. Nas crenças da população, essa chefe tradicional (escolhida por linhagem) é uma espécie de guardiã, nomeada divinamente. Para a comunidade, ela é a pessoa que estabelece pontes entre os antepassados (mortos) e os vivos. O poder da liderança feminina tradicional existe nessas regiões. E é único. Tudo isso faz parte da profissão da mulher. Há histórias interessantes que envolvem esse poder tradicional. Lembro-me de uma vez em que havia uma reunião local. Estavam presentes uma ministra e as rainhas tradicionais. A ministra, com todo o poder do Estado e das academias européias, apontou para uma das rainhas tradicionais para que ela se pronunciasse. A mulher simplesmente olhou e não abriu a boca. A ministra insistiu: “é consigo que estou a falar”. Nesse momento se levantaram alguns homens e disseram: “na nossa terra, na nossa tradição, ninguém pode apontar o dedo e ordenar qualquer coisa à nossa divina representante. Ela é nossa rainha!” A ministra não pôde dizer mais nada. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; mim, há momentos em que parece haver inveja, conflitos entre o poder formal e o tradicional. O poder tradicional é muito forte em nossa terra.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;Existe alguma representação dos poderes tradicionais no estado formal?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;PC&lt;/i&gt;: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Existe, mas é algo carnavalesco, só para fazer festa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;O principal ponto desse poder é a ponte entre os antepassados e os viventes?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;PC&lt;/i&gt;: Exato. E é bom ver que as pessoas veneram o seu líder (ou a sua líder), porque é uma pessoa igual a elas, que vive e sofre como elas. Os chefes preferem ficar sem nada para que os outros tenham. Posso me enganar, claro. Os seres humanos são complexos e há pessoas que abusam do poder que têm por causa de suas ambições. Mas, quando comparo os dois poderes...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;b style=""&gt;Sobre o futuro da mulher moçambicana, ainda existem tabus que impedem a igualdade de direitos? Como você vê a sociedade daqui para frente?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;PC&lt;/i&gt;: Os 30 anos de independência mostraram que a vida da mulher pode mudar para melhor. Ela pode ter um bom emprego, um bom salário etc. Mas também pode piorar, porque a mesma mulher que vai ao parlamento tem de voltar à casa para cozinhar, lavar e cuidar dos filhos. À medida que a mulher tem acesso ao novo mundo e a novos recursos, a sobrecarga na vida dela aumenta. O que está a acontecer com algumas mulheres é que elas lutam, vencem, e o produto do seu trabalho vai para as mãos do homem, que depois diz: “como não tens tempo para estar aqui, fui arranjar a segunda mulher”. Quantos casos de mulheres que eu conheço não são iguais a este? O marido pegou o dinheiro dela para ir casar com uma nova mulher, “porque não tens tempo para lavar, para cuidar de mim... Já que tens muito jeito para trabalhar, vai. Agora arranjei uma para me fazer café, pão”. É a nova escravatura das mulheres. A situação muda na aparência e há sempre outras formas de dominação. As mulheres modernas são máquinas de trabalho, não têm tempo para cuidar da casa. Trazem mais pão, que depois vai para as mãos de uma outra mulher que não trabalha. É um horror! &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas a situação vai melhorar. T&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;emos um governo que defende a posição da mulher, a legislação tende a mudar cada dia para melhor. Ainda ontem assisti à graduação em um curso de formação de médicos, onde 46 pessoas eram mulheres. Isso era impensável há seis anos. Primeiro o diploma, depois o emprego e, por fim, a libertação da escravatura. Já os hábitos tradicionais são muito mais difíceis de mudar, mas a legislação está caminhando e a mudança virá. Estou com otimismo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*entrevista concedida por Paulina Chiziane em maio de 2007&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-8957597936733353274?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/8957597936733353274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=8957597936733353274&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/8957597936733353274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/8957597936733353274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2007/11/uma-mulher-moambicana.html' title='Uma mulher moçambicana'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-4527965446998577523</id><published>2007-11-12T18:43:00.000-02:00</published><updated>2007-11-12T18:52:57.206-02:00</updated><title type='text'>Crédito para dar, vender e endividar</title><content type='html'>&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;i&gt;Cartões de loja incentivam o consumo exagerado, aumentando os lucros do comércio e o endividamento da população. Principal usuário desse tipo de crédito é o trabalhador que recebe até três salários mínimos mensais&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;"Boa tarde. A senhora possui o Cartão Sonda? Se quiser, pode fazer agora mesmo, sem cobrança de anuidade”. Quem nunca foi parado em um supermercado ou em um grande magazine e recebeu insistentes propostas para fazer um cartão da loja que levante a mão. A última moda é oferecer anuidade grátis, o que pode ser bastante tentador à primeira vista. No entanto, não há cartões em que o consumidor de fato não arca com custos. Sai a anuidade, entram taxas de manutenção, de utilização e tantas outras.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;No caso do supermercado Sonda, rede de 12 lojas na Grande São Paulo, a oferta é por um cartão sem anuidade. A atendente não dá mais informações, que só podem ser conseguidas no balcão de informações ou lendo o folheto publicitário. A aquisição do crédito implica em um custo de manutenção de R$ 3,90 toda vez que houver emissão de extrato, ou seja, sempre que for feita alguma compra com o cartão, que também pode ser utilizado fora dos estabelecimentos Sonda. Se utilizado todo mês, o desembolso será de R$ 46,80 no ano – valor que não fica para trás das taxas de anuidade cobradas no mercado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Mas como cada rede de lojas adota uma política diferente, o importante é ficar atento, perguntar sobre custos e questionar a cobrança de qualquer tipo de taxa não especificada na hora da contratação. No geral, é possível encontrar o valor das cobranças em letras minúsculas no contrato ou nos folhetos publicitários. Poucos dos responsáveis por vender o serviço, no entanto, alertam sobre tarifas, apesar de o Código de Defesa do Consumidor (CDC), em seu artigo 6º, assegurar o direito de receber informações adequadas e claras sobre os serviços ofertados.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;No Carrefour, por exemplo, a anuidade é grátis, mas é cobrada uma taxa de R$ 1,99 toda vez que houver movimentação com o cartão – que pode ser usado na rede de supermercados, nos postos de abastecimento Carrefour e em lojas credenciadas. O problema, em casos como esse, é o consumidor só descobrir a existência da taxa quando chegar a primeira fatura.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os estabelecimentos, ainda, oferecem cartões diferentes aos clientes: alguns podem ser usados apenas na própria rede, como é o caso dos cartões das Lojas Marisa; e outros podem ser usados na rede e em estabelecimentos credenciados, como o do Carrefour e o do Sonda. Para o consumidor, praticamente não há diferenças entre os modelos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;“Fazer com que o &lt;i&gt;private label&lt;/i&gt; (como é chamado o cartão que só pode ser usado em determinada loja) seja aceito em outros estabelecimentos é uma questão estratégica e envolve custos. Ampliar a utilização traz benefícios aos clientes, por não precisarem carregar outros cartões, mas também traz receitas ao varejista, que recebe porcentagem de vendas”, afirma André Alexandre Alves, especialista em marketing de varejo pela USP (Universidade de São Paulo).&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;A utilização do crédito em outro varejista, entretanto, faz com que o limite para ser usado na própria rede fique menor. Por isso, muitos preferem que o cartão seja válido exclusivamente em suas lojas. Outros, resolveram a questão estabelecendo limite para uso fora da rede. O consumidor, no meio de tudo, precisa tomar cuidado para não ver nos cartões de loja seus grandes aliados e acabar endividado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Pontos de relacionamento&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Com a explosão do crédito pessoal no início dos anos 2000, as maneiras de agarrar o consumidor se tornaram mais eficazes. Tanto que hoje mais de 128 milhões de cartões &lt;i&gt;private label&lt;/i&gt; estão em circulação no país. Em junho do ano passado, eram 107 milhões, ou seja, o crescimento foi de 19% em apenas um ano. O número de transações e o valor das compras com a modalidade cresceram na mesma proporção, com aumento de 17%. O volume de operações passou de 308 milhões para 360 milhões, enquanto o valor das compras subiu de R$ 15,2 bilhões para R$ 17,8 bilhões na comparação entre o primeiro semestre de 2006 e o de 2007. Os dados são da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Se considerarmos que a população economicamente ativa não chega a 98 milhões de pessoas, é fácil imaginar o quanto esses cartões contribuem para o endividamento de milhões de brasileiros. “Existem varejistas onde o &lt;i&gt;private label&lt;/i&gt; representa mais de 70% das vendas. Por outro lado, é também uma ótima oportunidade de relacionamento com os clientes”, afirma Alves.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;Para aumentar as vendas, no geral, oferecem parcelamento de compras sem juros em mais vezes do que é oferecido nos cartões de crédito comuns. A rede de supermercados Bistek, de Santa Catarina, chega a oferecer 70 dias para pagar a compra à vista e financiamento de até 90% do saldo devedor da fatura. Assim, o cliente acaba comprando mais, pois os longos prazos permitem parcelas mensais que cabem no orçamento.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Já para fidelizar clientes, as redes acabam condicionando o pagamento da fatura à ida de uma das lojas, além de armazenar todos os dados das últimas compras realizadas e de oferecer pontos de relacionamento que podem ser trocados por prêmios. Nas Lojas Marisa, magazine de roupas femininas presente em todo o país, por exemplo, os cartões só podem ser usados no site da empresa ou na própria rede e, para quitar o boleto, é necessário ir até uma das lojas. O cartão também oferece anuidade grátis e cobra uma taxa de processamento de fatura (a mesma coisa que taxa de manutenção ou de extrato) no valor de R$ 1,95, toda vez que houver débito no cartão.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Mas o que dá lucro mesmo para as empresas nesse tipo de cartão são as taxas de refinanciamento – responsáveis, portanto, pelo endividamento e parte dos consumidores. Uma conta que deveria ser paga em outubro, por exemplo, fica só para novembro ou dezembro e, para refinanciar o débito do cliente, a loja cobra juros bem altos. No caso das Lojas Marisa, cobra-se taxa de refinanciamento de 9,98% ao mês, mais multa de 2% e mora de 1% ao mês. São ainda cobradas tarifas “de entrada em cobrança com 10 dias em atraso” (R$ 3,05) e “de manutenção em cobrança com 30 dias de atraso” (R$ 2,75).&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Endividamento&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Para muitos, os cartões de loja acabam sendo a única forma de comprar. Cerca de 40 milhões de brasileiros não possuem conta bancária e precisam trabalhr apenas com dinheiro – ou aderir aos &lt;i&gt;private label&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;Lurdes (nome fictício) é aposentada e vive no bairro do Campo Limpo com seus três netos. Recebe aposentadoria, que mal dá para cobrir as despesas. Para comprar roupas e eletrodomésticos, fez cartões das Lojas Pernambucanas e das Casas Bahia. Para a comida, fez também outros dois: do Extra e do Carrefour. Questiono se ela consegue administrar os cartões, para não acumular dívidas e a resposta pode desanimar quem acredita que pode conciliar muitos cartões de loja: “não tenho muito o que fazer, sem os cartões não consigo comprar, mas com eles, também não consigo ficar sem dívidas. Tento apenas dividir os pagamentos, para ter algum cartão disponível”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para Alvez, “a educação financeira é incipiente no Brasil e o consumismo é amplamente divulgado. É possível ter vários cartões de loja na carteira, desde que a somatória de gastos caiba no orçamento”. Mas essa é uma tarefa difícil. A responsabilidade, no fim, é exclusiva do consumidor, que precisa administrar suas contas e resistir aos apelos consumistas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-4527965446998577523?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/4527965446998577523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=4527965446998577523&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/4527965446998577523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/4527965446998577523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2007/11/crdito-para-dar-vender-e-endividar.html' title='Crédito para dar, vender e endividar'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-5400328014805204945</id><published>2007-10-01T21:37:00.000-03:00</published><updated>2007-11-08T19:48:16.153-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='publicidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alimentação'/><title type='text'>Não embarque nessa aventura</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText2"&gt;&lt;i&gt;Mais de metade das crianças opina sobre o consumo familiar, escolhendo produtos e até marcas para uso próprio e da casa. Elas sabem como persuadir os pais e a publicidade exerce forte influência na hora da decisão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;As crianças brasileiras passam, em média, 40 horas por semana em frente à televisão. Se considerarmos que elas nunca vão assistir a uma superalface mostrando seus poderes ou a um tomate que prometa energia para ser forte como um leão, a constatação é preocupante. Os personagens publicitários mais irresistíveis são, no geral, os que apresentam guloseimas, refrigerantes e brinquedos caros, convencendo crianças e até a família inteira a consumir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Elas escolhem por critérios subjetivos, como gosto, emoção e imagem da marca. Cerca de 80% das mães latino-americanas, por exemplo, permitem que seus filhos escolham bolachas e chocolates preferidos; 70% delas também aceitam a decisão na compra de iogurtes e 61% ampliam a permissão para bebidas e sucos. Os dados são da pesquisa mais recente sobre consumo infantil da TNS (&lt;span style="color:black;"&gt;Taylor Nelson Sofres&lt;/span&gt;, instituto britânico de pesquisa vice-líder no ranking mundial de empresas de pesquisa de mercado), que conversou com famílias da Argentina, Brasil, Chile, Guatemala e México. Se elas podem decidir, vão querer o pacote de bolachas com mais nutrientes e menos gordura e sódio ou aquele em cuja publicidade ocorrem as mais incríveis armações quando se come a bolacha? Os índices alarmantes de obesidade na população infantil de todo o mundo respondem facilmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;“As crianças estão muito expostas a estímulos e, principalmente as de classes mais altas, têm consciência de seu poder frente aos pais. Logo no primeiro contato com o mundo do consumo, que será com os gêneros alimentícios, elas vão se manifestar”, afirma Ivani Rossi, diretora de planejamento da TNS. Hoje as marcas se comunicam diretamente com a criança e são bem mais agressivas do que anos atrás. Por isso, é importante ensinar sobre a importância do consumo consciente e sobre o papel da publicidade. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;É assim que Eliana procura conscientizar os dois filhos do que pode ou não entrar no carrinho do supermercado. “Eles batem o olho na prateleira e sabem o que querem. São muito guiados por comerciais, então preciso explicar e convencê-los de que nem todos os alimentos que viram na TV ou que trazem brindes são bons para a saúde”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;A “contra-educação”, no entanto, é muito forte. Quase metade das publicidades veiculadas nas duas maiores emissoras de TV do país, durante o horário infantil, é de guloseimas. Do restante, cerca de 20% é de bebidas não-lácteas, como refrigerantes. Todas tentam agregar valores emocionais ao produto, usando personagens infantis, apresentadores de TV famosos, cores fortes, objetos para colecionar e brindes, e conseguem chamar atenção. “A publicidade influencia porque diz às crianças que serão mais felizes se tiverem um produto ou usarem um serviço. Cria vontades e desejos. Funciona como com os adultos, com a diferença de que os menores não compreendem a complexidade das relações de consumo, não sabem que não precisam ter produtos ou serviços para serem felizes e integrados ao grupo. Acreditam no que ouvem”, afirma Isabella Henriques, coordenadora do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana. Pesquisas internacionais apontam que 30 segundos são suficientes para uma marca influenciar. Com horas e horas de comerciais em meio aos programas infantis, é fácil imaginar a destruição causada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;b&gt;Consumo x consumismo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;A criança se torna consumidora no momento em que acompanha os pais pela primeira vez nas compras. A partir daí, “sente-se parte integrante da família quando consegue influenciar. Pode não ter noção de marca, mas escolhe produtos para se inserir e destacar”, comenta João Osvaldo Matta, consultor sobre marcas, produtos e serviços infantis e professor de marketing da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing, de São Paulo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Os adultos funcionam como modelos e influenciam comportamentos consumistas. Mas, sem dúvida, a comunicação do mercado – incluindo embalagens, merchandising, produtos nas prateleiras mais baixas do supermercado e a própria publicidade – têm significativa parcela de influência na formação de hábitos não saudáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;As conseqüências são várias e podem ser desastrosas. Estimula-se não apenas o consumo, mas o exagero, o consumismo. “Sob o ponto de vista ambiental, se o planeta continuar no ritmo de hoje, serão necessárias mais quatro Terras para que os recursos sejam suficientes. Até essas quatro serem consumidas e serem necessárias mais quatro”, afirma Isabella.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Na área médica e de saúde, a insustentabilidade também está a caminho. Dados da Obesity Reviews, veiculados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) , relacionam diretamente divulgação de alimentos a obesidade infantil. No Brasil, 30% das crianças estão com sobrepeso e, dessas, 15% são obesas. Em contrapartida, mais de 80% das publicidades de alimentos infantis são de produtos calóricos e pobres em nutrientes. Confira ao longo da reportagem exemplos de publicidade que não fazem nada bem para a saúde das crianças. A seleção foi feita por um grupo de pesquisa da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (Unifesp), coordenado por José Augusto Taddei e Tatiana Elias Pontes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;O caráter de exclusão de todo tipo de publicidade, deixando de fora os que não podem comprar determinado produto ou serviço, pode ainda ser causa de criminalidade. “Prometer felicidade com o consumo e criar expectativas não é ético. Exclui quem não consome, porque a pessoa não vai alcançar a felicidade prometida. Em última análise, pode levar à marginalização e à violência”, afirma Sérgio Miletto, produtor cultural e coordenador da campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Para Noemi Friske Momberger, advogada especialista em publicidade infantil, os comerciais são os principais culpados pelo consumismo. “Não basta trocar de canal: é preciso proibir a publicidade e melhorar a qualidade dos programas. Só assim será possível formar cidadãos que não se voltem para o consumo desenfreado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;b&gt;Quem precisa da publicidade infantil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;O artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) deixa claro que “é proibida toda publicidade enganosa ou abusiva que (...) se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança”. Antes dos 10 anos, poucas conseguem entender que a publicidade não faz parte do programa televisivo e tem como objetivo convencer o telespectador a consumir. Dessa forma, comerciais destinados a esse público são naturalmente abusivos e deveriam ser proibidos de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Mas a discussão é intensa: de um lado, militantes dos direitos infantis afirmam que é imperativo proibir qualquer anúncio para menores de 10 ou 12 anos; de outro, há quem acredite que proibir é censura. Entre eles, ainda, há os que defendem a regulamentação como a melhor escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Para Noemi, as autoridades não se deram conta das armas que têm em mãos. “O CDC e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbem publicidade infantil expressamente. Não é possível que agora os empresários queiram considerar censura respeitar o que está previsto na legislação”. A argumentação de censura acaba aparecendo como uma nuvem de fumaça que o mercado publicitário tenta jogar na discussão. A publicidade não é manifestação de pensamento: é atividade econômica e deve ser regulada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Já Osvaldo Matta (ESPM) acredita que “proibir totalmente é preguiça de refletir. Sou a favor da restrição. As mudanças vêm caminhando lentamente, devíamos acelerar o processo e tornar a discussão mais madura, pois precisamos de um equilíbrio”. Um ponto interessante a ser levantado, de acordo com o consultor é: de que vale proibir a publicidade se todos esses produtos continuarão nas prateleiras, sendo colocados nas alturas ideais para chamar a atenção e sofrendo recalls por irregularidades de fabricação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;O ideal seria o Poder Executivo atuar mais na área. No Legislativo, havia até um projeto de lei (nº 5921/01), do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que pretendiaguiar as ações do governo e tinha por objetivo proibir toda a publicidade que promovesse a venda de produtos infantis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;A própria Anvisa, ao final de 2006, realizou uma consulta pública a respeito de uma proposta de regulamentação da publicidade de alimentos, mas uma resolução final ainda não veio à luz. A regulamentação visaria especificamente à publicidade de alimentos com quantidades elevadas de açúcar, sal, gorduras trans e gorduras saturadas. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Enquanto isso, apresentadoras de programas infantis, empresários e emissoras de TV atingem lucros exorbitantes. Só em 2002, por exemplo, os cerca de trezentos itens da marca Xuxa no mercado renderam à apresentadora a soma de R$ 30 milhões. “Nossas apresentadoras exploram a credulidade, a ingenuidade, o sentimento de lealdade que as crianças têm por elas. Será que seu filho precisa de um caderno com a foto da Xuxa ou da Eliana? Quem ganha com isso?”, questiona Noemi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;b&gt;Como funciona lá fora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;No Reino Unido, um produto que custe mais de 15% do salário mínimo (menos de R$ 60 no Brasil) é considerado muito caro e não pode ser divulgado para crianças. Artistas, marionetes, personagens de desenho animado e apresentadores de TV são proibidos de fazer comerciais para crianças e não pode haver merchandising no período de duas horas antes ou após programas infantis. A publicidade também não pode estimular que a criança coma perto do horário de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Já a Grécia proibiu a publicidade de brinquedos na televisão entre 7h e 22h; e Bélgica e Holanda proibiram publicidade durante a exibição de programas infantis. O Canadá limita o tempo em que as emissoras podem veicular publicidade por hora. E o Chile, por exemplo, tem regras para que a publicidade respeite a ingenuidade e credulidade dos pequenos e a inexperiência dos jovens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Ao contrário, no nosso país, muitos programas infantis vivem à custa do merchandising, que nada mais é a publicidade de produtos diluída na programação normal, prática que torna ainda mais difícil o discernimento por parte da criança. Infelizmente, não há determinação no CDC que proíba essa prática. Há programas dedicados exclusivamente ao oferecimento de brindes às crianças que acertarem uma resposta ou ganharem uma brincadeira. É claro que o “brinde” não é oferecido sem antes os apresentadores ressaltaram as qualidades do brinquedo e fazerem publicidade da marca. Outro problema, como acontece constantemente, é o lançamento de linhas de produtos baseadas em personagens infantis. Em 2000, pouco antes da estréia da série do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, na Rede Globo, foram lançados cem itens que remetiam aos personagens do programa. Para muitos estudiosos, entretanto, nenhuma dessas jogadas de marketing seria necessária para manter as redes de televisão, já que o grosso de seu lucro vêm da publicidade para adultos e não da dirigida a outros públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;A discussão prossegue, mas o consumidor tem em mãos o poder para reclamar do que considerar abusivo. Qualquer irregularidade publicitária pode ser comunicada ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, ou denunciada ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), aos Procons e até ao Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;b&gt;Publicidade para a criança que existe dentro de você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Não é só a publicidade infantil que pretende levar o consumidor a um mundo mágico e encantador. Diversos comerciais de produtos e serviços para adultos utilizam personagens e bonecos infantilizados para chamar a atenção. Alguns dos mais marcantes são os de bancos – que, convenhamos, não têm nada a oferecer ao público infantil. Os últimos comerciais do Unibanco, por exemplo, usam personagens. “Há publicidades ambíguas, que não são focadas na criança, mas na criança que há dentro de cada adulto. O ambiente bancário se transforma em algo mágico e tranqüilo e um pai acaba se influenciando por ver naquele ambiente algo ideal para seus filhos. Há um apelo forte, mas não direcionado diretamente às crianças”, explica Osvaldo Matta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;b&gt;Trakinas Trakmix&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Na publicidade televisiva, duas crianças apresentam um show de mágica para a família. O truque é o desaparecimento de um pacote inteiro de bolachas Trakinas Trakmix. É um bom exemplo do quanto a publicidade de alimentos pode ser prejudicial. O consumo de 100 gramas desse biscoito (pouco mais de três pacotes) fornece 60 gramas de carboidratos e 420 calorias, cerca de 25% da ingestão diária recomendada para crianças entre 7 e 10 anos, além de fornecer 96% da quantidade de sódio necessária. Outro ponto negativo é o preço do produto, que fica na faixa de R$ 27 por quilo. Além de tudo, a publicidade incentiva o consumo exagerado, já que as crianças acabam com um pacote do produto em poucos minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;b&gt;Iogurte Chamito + Cereais coloridos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Um garoto, acompanhado de um gênio, arremessa uma bolinha colorida de cereal com um estilingue e ela percorre todo o mundo, caindo de volta na embalagem do Chamyto. Para comemorar, ele saboreia o iogurte. Nesse produto, encontramos 10% da recomendação diária de calorias e de carboidratos, e quase 20% do máximo que pode ser consumido de gorduras saturadas por uma criança em idade escolar. A própria Nestlé comercializa iogurtes mais saudáveis e mais baratos, pouco divulgados para o público infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;b&gt;Refrigerante Schin com 250 ml&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Personagens de um desenho infantil mergulham na embalagem do Mini Schin e todas as crianças aparecem bebendo o refrigerante durante a publicidade. Por ser um alimento que oferece apenas açúcares, não é nutritivo e não deveria ser divulgado (e nem comercializado) para crianças. O rótulo do produto, ainda por cima, baseia as porcentagens de nutrientes em uma dieta recomendada para adultos (isso ocorre com muitos alimentos, diga-se). Como tem por alvo o público infantil, deveria alterar o rótulo para a indicação com base em dieta de 1750 calorias diárias. É importante lembrar que o produto possui muitos corantes artificiais, que podem fazer mal à saúde pelo consumo a longo prazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;b&gt;Nescau Cereal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Quatro garotos conseguem fazer passes mirabolantes com bola enquanto comem o produto. Um deles consegue até chutar a bola em direção à parede com força para deformá-la. Apesar dessa “força” que o cereal parece dar às crianças, ele possui quase apenas carboidratos. Uma porção de 30 gramas chega a 7% da quantidade recomendada de carboidratos para crianças de 7 a 10 anos. O mais chocante, no entanto, é que um produto que se diz “cereal” não chega a ter nem 1 grama de fibra por porção – nutriente naturalmente encontrado nos cereais. O preço também é bem caro, sendo de aproximadamente R$ 24 por quilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;b&gt;Mc Lanche Feliz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;A publicidade analisada foi da época em que o produto trazia como brinde personagens do filme “Carros”, da Disney-Pixar. Trazia cenas do filme e comentários de duas crianças pequenas sobre os “incríveis” brindes. Além de ser um produto nada nutritivo, a publicidade anula o papel dos pais na escolha da alimentação, com a idéia de que se eles dão brinquedos são mais legais que os pais, e ainda deixam a criança comer o que ela gosta – hambúrguer, refrigerante e batata frita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;b&gt;Salgadinhos Yokitos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;O Jakaroki (mascote da marca) surfa muito bem e consegue escapar de um tubarão. Depois da aventura, come o salgadinho na praia, descansando na sombra. Esta é outra publicidade que não deveria ser veiculada, pois o produto não traz benefícios para as crianças. Possui alta quantidade de gorduras e, diferentemente do que alardeia no rótulo, possui quantidade de fibras muito pequena. A publicidade ainda é enganosa por dizer que o alimento é enriquecido com 9 vitaminas e ferro, mas, de acordo com o estabelecido pela Anvisa, só poderia informar que é enriquecido com três vitaminas (conforme os valores mínimos necessários).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;b&gt;Sucrilhos Kellogg´s sabor brigadeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:100%;"  &gt;Enquanto uma criança consome o produto, diversos super-heróis se aproximam de sua casa, em clima de festa, e a convidam a participar da animação. Ao final da publicidade é indicado que a edição é limitada, deixando subentendido aos pais de que eles devem correr para comprar ou correm o risco de não experimentar. O principal problema do produto veiculado nesse comercial é ser rico em carboidratos, em sua maioria açúcares. Consumidos em excesso, os açúcares podem causar obesidade, doenças cardiovasculares e diabetes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-5400328014805204945?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/5400328014805204945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=5400328014805204945&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/5400328014805204945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/5400328014805204945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2007/10/no-embarque-nessa-aventura.html' title='Não embarque nessa aventura'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-8396752646385679438</id><published>2007-09-13T21:28:00.000-03:00</published><updated>2007-11-08T19:50:16.802-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidadania'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ônibus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='transporte público'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='consumidor'/><title type='text'>O Brasil passou do ponto</title><content type='html'>&lt;i&gt;Está no Código de Defesa do Consumidor: “os órgãos públicos, por si ou suas empresas concessionárias (...) são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes e seguros”. Na prática, isso não é assegurado ao usuário do transporte coletivo, principalmente de ônibus. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pense no caminho entre sua casa e o ponto de parada de ônibus mais próximo. Quanto tempo você gasta e como são as calçadas no percurso? O ponto de parada possui iluminação, bancos para se sentar, informações sobre veículos e horário em que passam? Os ônibus circulam em intervalos regulares? Geralmente há lugar para se sentar e é possível chegar no horário a compromissos? Provavelmente, as respostas não são animadoras para os mais de 55 milhões de brasileiros que usam diariamente o transporte coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os municípios devem regulamentar e fiscalizar os serviços públicos de transporte, delegados a empresas que os prestam por concessão. Também cabe aos governos melhorar condições de vias públicas e de pontos de parada, o que aumentaria a qualidade do transporte, mas pouco é feito. Caminhamos na contramão: a demanda pelo transporte coletivo urbano diminuiu nos últimos anos, principalmente pela ineficiência do sistema e pelas altas tarifas cobradas, gerando círculos viciosos que só pioram a situação dos usuários desse tipo de transporte. “As tarifas são calculadas dividindo o orçamento do serviço pelo número de passageiros pagantes. A elevação de preço reduz o número de pagantes. No reajuste, a ‘conta’ é dividida por um número menor de usuários, pressionando os valores para cima mais uma vez”, esclarece Marcos Bicalho, superintendente da Associação Nacional de Transportes Urbanos (ANTP).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa situação seria amenizada com políticas públicas de incentivo ao uso do transporte coletivo. Um bom exemplo, pouco seguido, é o de Curitiba, onde há planejamento integrado de transporte e uso do solo, além de continuidade política das ações de governo, ou seja, uma boa iniciativa não é destruída com a mudança de prefeitos. Já em São Paulo, uma das cidades mais congestionadas e poluídas do país, cinco novos corredores de ônibus (com mais de 50 quilômetros de extensão) serão construídos até 2008. Infelizmente, isoladamente, essa medida tende a não trazer resultados efetivamente benéficos. Políticas que poderiam ser tomadas em conjunto para ter melhores resultados são: a redução do preço do óleo diesel, o subsídio ao transporte de idosos e o planejamento da rede de linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que os governos não têm recursos disponíveis para investir o necessário, mas o que possuem é usado de formas questionáveis. “Salvo raras exceções, as políticas públicas continuam a estimular o crescimento do transporte individual e a penalizar o coletivo, sem contar com a carência de investimentos em infra-estrutura urbana para o transporte coletivo”, critica Bicalho. Além disso, o governo pouco fiscaliza o trabalho das empresas concessionárias, que como grupos privados, se preocupam essencialmente com o lucro. Os direitos do consumidor – como acessibilidade, freqüência de atendimento, tempo de viagem, lotação, segurança, sistemas de informação, estado das vias e comportamento dos operadores – são relegados ao esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;O que pode ser feito?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os interesses em jogo são poderosos e a população é o elo mais frágil. Restringir ou encarecer o uso do automóvel, por exemplo, coloca o governo em colisão com a indústria automobilística. Combater o transporte clandestino pode causar choque com setores do Legislativo que assumem práticas clientelistas. Exigir melhores serviços das concessionárias, apesar de ser função dos governos, também causa atritos difíceis de contornar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os problemas são muitos, somente em longo prazo algo vai mudar. No entanto, é direito do consumidor receber um serviço adequado e dever das empresas prestá-lo da melhor forma, com fiscalização dos governos. Entre as muitas políticas que podem amenizar a situação, Érika Kneib, arquiteta urbanista especializada em transportes coletivos urbanos, cita uma em especial: “o processo licitatório do sistema é fundamental para que os direitos dos usuários sejam garantidos. Quando o processo é adequado, o poder público exerce seu papel de gestor e fiscalizador”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já para Paulo César Marques da Silva, professor do Programa de Pós-Graduação em Transportes da Universidade de Brasília (UnB), a solução seria inverter as prioridades entre automóvel e transporte coletivo. “Se entendermos o consumidor de transporte como todo cidadão, então seus direitos são os constitucionais de ir e vir. E estão acima do direito individual de usar espaços públicos para fins privados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lucro das empresas também costuma ficar acima dos direitos dos usuários. Elas não fazem política social e só existem se tiverem resultados financeiros positivos. Nesse ponto, é fundamental o subsídio de governos, para que o acesso não fique limitado ao poder econômico de cada cidadão. As soluções do transporte passam, necessariamente, por políticas públicas, e não por questionamentos nas relações de mercado. “Cabe aos usuários fazer reclamações e exigências ao poder público e não às empresas, que são apenas prestadoras do serviço”, esclarece Érika.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, a população nem sempre é ouvida. A aposentada Alice Victor de Oliveira, hoje com 70 anos e associada do Idec desde 1994, já reclamou muito do transporte coletivo de seu bairro, na zona sul de São Paulo. A partir de mudanças feitas na região, muitos ônibus não conseguiam mais passar por uma das ruas do itinerário, estreita e não adaptada para o novo volume de veículos. Com isso, o trânsito parou e os usuários chegaram a esperar mais de uma hora por um ônibus. “Mas eles resolveram a situação. Mudaram o ponto de lugar: agora fica em cima de um bueiro. É um absurdo, as pessoas podem até quebrar o pé na correria. Vamos reclamar de novo”, avisa Alice. E essa nem foi a pior situação que a aposentada viveu como usuária de coletivos. “No ano passado, entrei em um microônibus e me sentei no banco ao lado do motorista. Pouco depois, entrou uma jovem que carregava uma pequena sacola e me obrigaram a descer do ônibus (porque o bilhete não estava habilitado para passar na catraca) e me sentar após a catraca, para dar lugar à jovem. É uma falta de respeito, principalmente pela minha idade. Reclamei, mas esqueci de anotar o número do veículo e a reclamação não valeu de nada”, lamenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das dificuldades, o poder para exigir dos governos as mudanças necessárias está nas mãos dos consumidores. “A primeira exigência é receber informação sobre o sistema e sobre os horários, para ajudar na fiscalização. Também deve-se pedir informação de como é calculada a tarifa. Além disso, pode-se avaliar a capacitação de técnicos e gestores do órgão de transporte da cidade”, orienta Érika. E quando as reclamações não dão resultado, o usuário pode questionar na Justiça. Dessa forma, os órgãos podem ser condenados a cumprir suas obrigações e ainda pagar indenização, conforme o prejuízo apurado em cada caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Serviço adequado a todos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você é usuário freqüente de ônibus, responda a mais esta questão: quantas vezes entrou em um coletivo que possuía acessibilidade para pessoas com deficiência? Esperar qualquer ônibus é demorado. Esperar um com acesso especial, então, é um teste de paciência. Atualmente, apenas 5% dos ônibus possuem plataforma elevatória (para acesso de cadeirantes), 2% têm piso rebaixado e menos de 2% operam em corredores com plataforma elevatória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não há planejamento do espaço público. As calçadas, por exemplo, funcionam como extensão do espaço privado e não respeitam necessidades especiais das pessoas”, afirma Ana Maria Barbosa, coordenadora da Rede Saci, que discute direitos de pessoas com deficiência. A pesquisadora enfatiza que há muito o que fazer para garantir acessibilidade no transporte coletivo, mas não despreza a evolução no setor nos últimos anos. Para ela, toda adaptação é bem vinda, desde que cumpra as recomendações para acessibilidade e não prejudique nenhum usuário. “Não adianta facilitar a vida de um cadeirante e dificultar a de um idoso”, comenta sobre os ônibus com piso rebaixado e escadas antes e logo após a catraca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em julho, o Inmetro divulgou a Portaria 260/2007, que regulamenta as adaptações que devem ser feitas na frota nos próximos anos, garantindo acesso maior. Alguns dos itens contemplados são: características da plataforma elevatória, reposicionamento de bancos preferenciais e adoção de iluminação nos degraus. Boa parte da frota, ao ser renovada, vai contemplar essas modificações. Em São Paulo, por exemplo, ônibus de piso rebaixado e até os que têm escadas antes e após a catraca (que podem ser perigosos para a mobilidade dos idosos) já estão em circulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Curiosidades do transporte por ônibus&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;» A tarifa de ônibus mais barata é a de Belém do Pará, que custa R$ 1,35. A mais cara é a de São Paulo, que sai por R$ 2,30. Mas em termos relativos ao valor da cesta básica, a tarifa de Salvador é uma das que mais compromete o bolso&lt;br /&gt;» Cerca de 37 milhões de brasileiros são excluídos do transporte coletivo por falta de dinheiro para pagar tarifa, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)&lt;br /&gt;» A velocidade média dos ônibus nas grandes cidades brasileiras não chega a 15 quilômetros por hora, quando não há corredores preferenciais&lt;br /&gt;» A frota de ônibus no país atende mais de 55 milhões de pessoas, com menos de 100 mil veículos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;* Texto também publicado na Revista do Idec 114, de setembro de 2007&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-8396752646385679438?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/8396752646385679438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=8396752646385679438&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/8396752646385679438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/8396752646385679438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2007/09/o-brasil-passou-do-ponto.html' title='O Brasil passou do ponto'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-337464581592034968</id><published>2007-09-09T12:17:00.000-03:00</published><updated>2007-11-08T19:54:16.488-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='velório'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='África'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feitiçaria'/><title type='text'>Morte do pai de Eva</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;i&gt;Ah, vocês, gente do sul – aponta a Lu numa voz acusatória. – Sou sena. Entre nós, os senas, a morte é íntima. Tão íntima como o beijo, como o amor, como o nascimento. A morte diz respeito a um núcleo apenas. Os parentes e amigos apresentam pêsames, mas não se detêm para não serem conspurcados pelo espectro da morte. Aqui no sul, a morte é celebração, é festa. Uma oportunidade boa para comer sem pagar. Com a elevada mortalidade que há, conheço gente que anda de funeral em funeral, a cantar, a chorar, comer e engordar sem a menor despesa. Digam-me vocês todas. Quem vai encher as panças de toda essa gentalha?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Espanta-me a rapidez com que chegaram à conclusão da morte e à urgência de me chamarem de viúva. (...) Entram no meu quarto e desmontam os móveis para abrir espaço e cobrem toda a mobília com lençóis brancos. Arrastaram-me para um canto, raparam-me o cabelo à navalha e vestiram-me de preto. Acabava de perder poderes sobre o meu corpo e sobre a minha própria casa. (...) Chega gente de várias direções numa procissão de formigas. Em poucos instantes enchem-me a casa. Nos dias que correm, dá-se mais valor à morte que à vida e a morte é mais importante que o nascimento. As mulheres gostam de velórios. Nos velórios podem uivar todas as suas dores como lobos na noite, purificam os seus corpos de ácidos, na torrente de lágrimas. Quando a garganta seca e a força se esgota, recarregam a energia com chá e açúcar, pão e manteiga, paga pela família do morto. Os homens gostam de velórios para descansar, jogar ntchuva, damas, cartas, cavaquear sobre política, futebol e mulheres. O velório é um momento bom para vomitar infâmias, exorcizar fantasmas, apunhalar inimigos, rever parentes e velhos amigos e receber algum espólio. Na morte todos se reúnem e choram, mas em vida o homem combate só.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Niketche: uma história de poligamia, de Paulina Chiziane - Cia. das Letras)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os soldados e comandantes estão enfileirados. À frente, os músicos tocam uma marcha fúnebre. Uma imensidão de pessoas se aglomera. Os militares apontam suas armas para cima, batem os pés no chão e se voltam para a frente. O movimento se repete duas vezes. Voltam à cena os músicos, que encerram a marcha. Em um comando, a tropa se alinha, dá meia volta e se retira da frente da entrada do local em que acontece o velório do pai de Eva. A multidão se aperta para entrar no recinto e não há ordem por idade, gênero ou raça. Todos querem ir à frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é sexta-feira e a morte dele ocorreu na segunda, um dia após eu me mudar para a casa de Eva. Sou a única branca no velório e me aglomero para participar da cerimônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O local em que está o corpo é uma sala de uns 30 metros quadrados. No centro, acima dos quatro degraus de cimento, está o caixão. As paredes são claras e as únicas cores pertencem às flores depositadas: brancas, amarelas e vermelhas. Nas escadas, há uma foto emoldurada, em preto e branco, do coronel falecido. Do lado esquerdo, os militares que trabalharam com ele. À direita, os familiares, vestidos de preto. As mais velhas, com capulanas pretas amarradas na cabeça. No alto das escadas, bem no fundo, há velhos que entoam canções no dialeto local. Músicas tristes, ritmadas, envolventes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entro, espremida , e vejo uma tia de Eva apoiando nos braços uma senhora bem velha. Ela tem lágrimas nos olhos e apenas pisca quando me vê. À frente estão Eva e seus irmãos, de braços dados ou se apoiando mutuamente. Subo as escadas. Do alto, vemos o caixão aberto, mas coberto por uma pequena toalha de renda. Descemos em fila indiana, até o lado de fora do velório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio com lágrimas por todo o rosto, tremendo, com a sensação de que a cerimônia é forte demais. Os cantos são profundos, tristes. A multidão chega a centenas de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Como manda a tradição&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em África, a tradição tem presença muito forte, embora não faça parte do cotidiano dos jovens. Assim que tiveram a notícia, os mais próximos se juntaram na casa do falecido. E assim devem ficar durante 15 dias. São feitas reuniões de família para estipular quando os parentes mais distantes estarão presentes e só com essa confirmação o enterro é marcado. Até lá, todos permanecem na mesma casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da tristeza, a morte deve significar união entre os familiares. Mas também significa ter muitos gastos. Como o pai de Eva era da banda militar, os custos do funeral serão pagos pelo Estado. As outras despesas, no entanto, ficam com os filhos: todos os que vêm de longe serão alimentados por eles nas duas semanas que se seguem à morte, data em que podem retornar às suas casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante esse tempo, as reuniões familiares são praticamente diárias. Uma delas foi para decidir onde seria feito o enterro. Os filhos, que vivem em Maputo, queriam o pai enterrado nessa cidade. Os irmãos mais velhos (as titias, como diz Eva), exigiam que o corpo fosse levado a Manjacaze, na província de Gaza, onde ele nasceu. Diziam que os mais novos não entendem nada e que se o corpo fosse enterrado na capital, os jovens não teriam mais apoio dos velhos. Venceu a tradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também mandam os costumes que, quando um parente morre, não se pode namorar. O sexo fica proibido até o final das cerimônias fúnebres. Eva me pergunta se é assim também no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após a notícia da morte, os familiares se reúnem na casa do falecido. Todos os mais velhos ficam na sala. Os homens sentam-se do lado esquerdo, em cadeiras. As mulheres, todas com capulanas amarradas, ficam do lado direito e se aglomeram no chão, deitadas em esteiras de palha. Elas expressam tristeza, pois assim deve ser, me dizem. Os mais jovens ficam no quarto: homens e mulheres no mesmo espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com tanta tradição presente, há situações que poderiam se dar em qualquer parte do mundo, como as brigas por bens. Os irmãos do falecido discutem com os filhos para saber quem ficará com a herança do velho militar. Em cada uma dessas brigas, os parentes votam o que deve ser feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para decidir a roupa do enterro, também foi feita uma reunião. Dessa também participaram os militares. E a família não tinha poder. Ele deve ser enterrado com a roupa de trabalho. O chapéu do exército, entretanto, ficará para o filho mais velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os familiares devem ficar reunidos desde a morte até que se encerrem as cerimônias, é preciso que tenham folga no trabalho. E têm. Dependendo da empresa, os parentes de primeiro grau recebem até duas semanas. Para os mais distantes, apenas uma semana. Eva, mesmo sendo filha, ganhou uma semana só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Por feitiço&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tinha 12 anos, Eva perdeu a mãe. Após a morte dela, seu pai teve outra mulher, com quem também teve filhos. Eles se separaram, mas essa mulher foi hoje ao velório na casa do falecido. Eva e sua irmã, no entanto, a expulsaram de lá. “É uma feiticeira”, grita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto se ela tem algum poder e Eva afirma que sim. Desejava a morte do ex-marido e só foi lá para confirmar. Não sofria de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Moçambique há feiticeiros, que têm poder para o bem e para o mal. “Meu Deus, estou enfeitiçado!”, gritou a personagem de Mia Couto em Terra Sonâmbula. “A cabra me deitou feitiço... a puta estava com os sangues, raios a partam... grande puta: estavas menstruada!”. O escritor ainda explica: “vinha à mente a voz da crença, condenando aquele que ama uma mulher em estado de impureza. Também o português punha crédito em tais africanas maldições: nele os sangues haveriam de escorrer, transbordantes.” Em casos como esse, os enfeitiçados têm uma única forma de se livrarem da maldição, que é fazer um corte no pescoço. O problema surge quando pensamos em uma sociedade onde mais de 1,5 milhão de pessoas estão infectadas pelo HIV. As facas estarão desinfetadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crença em feitiços está enraizada na cultura e tenta explicar a sociedade. Tuberculose e hérnia, por exemplo, são doenças de quem dormiu com viúva que ainda está no período de luto. E nenhum marido desconfiaria de traição se a mulher ostentar um osso de cabrito dentro de casa, mesmo que ela tenha engravidado no ano em que ele se encontrava fora da cidade. Esse osso permite que uma pessoa esteja em dois lugares ao mesmo tempo. Atualmente, muitos acreditam que esses feitiços ocorrem e são totalmente verdadeiros. Muitos outros acreditam que são apenas mitos, lendas que enriquecem a cultura moçambicana.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-337464581592034968?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/337464581592034968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=337464581592034968&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/337464581592034968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/337464581592034968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2007/09/morte-do-pai-de-eva.html' title='Morte do pai de Eva'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-1682460102401783812</id><published>2007-08-19T23:05:00.000-03:00</published><updated>2007-11-08T19:56:23.090-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='África'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='calamidades naturais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comércio'/><title type='text'>Maldição na machamba</title><content type='html'>Era uma vez uma machamba (plantação). Uma comunidade de macaquinhos se alimentava do que era produzido em suas terras. Em um dia feio de verão, sem aviso, ratos invadiram a plantação. Foi uma peste violenta. Para controlar a praga, os macacos decidiram comprar veneno e jogaram a isca em todo o terreno. Assim, viveriam felizes para sempre.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Em poucos dias todos os ratos morreram, mas algo inesperado ocorreu. Os macacos também estavam doentes. Todos que se alimentavam morriam como as pestes. Preocupados, eles se juntaram novamente para esclarecer os acontecimentos: os que comeram as plantas da machamba, depois de jogado o veneno contra a praga, morreram envenenados.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Agora, restavam apenas quatro macacos na comunidade. Um deles decidiu que não comeria mais, para não se envenenar. Ele colocou, para sempre, suas mãos tampando a boca. O segundo decidiu que não queria ver mais mortes em sua comunidade e colocou as mãos nos olhos, para nunca enxergar nada. O terceiro resolveu tampar os ouvidos, pois assim não ouviria mais histórias tristes. O último, nunca mais brincaria. As mortes dos outros macacos lhe tiraram a alegria de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Lilo e os macaquinhos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho em direção à feira de artesanato de Nampula, cidade do norte de Moçambique. As primeiras barracas vendem panos para limpar o chão. À frente, vendedores amontoam pares de calçados usados, colocados uns em cima dos outros, com pares afastados no meio de outros tantos.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Entro no meio das barracas. A feira abrange quarteirões inteiros, se enredando pelo meio de um campo, pelas calçadas e pela rua. Em barracas mais afastadas há peças em madeira, em palha e em marfim. Em Moçambique, o importante é saber pechinchar. No geral, a mercadoria vale – ou é vendida – pela metade do preço ofertado inicialmente. Há também roupas, bijuterias, pequenos gorros tricotados a mão, tapetes e vassouras de palha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto me perco nos diversos corredores, um rapazinho me segue. Ele segura quatro macaquinhos de madeira nas mãos e insiste para que eu compre sua mercadoria. Repito que não quero, que não tenho dinheiro, que já comprei o que queria. Ele me pede, então, que eu apenas escute a história da comunidade desses macaquinhos. Lilo me convenceu e comprei os quatro. Por todo o país comprovei que sua história é verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Problemas nacionais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moçambique é assolado por pragas e calamidades naturais mais de uma vez por ano. Em 1994 e 1996, gafanhotos vermelhos invadiram as províncias de Manica, Tete, Sofala, Zambézia e Niassa. As culturas foram destruídas e milhões de pessoas tiveram a fome acentuada nesses períodos. Pragas causadas por ratos também são um problema de saúde pública no país.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;As cheias são praticamente anuais. As terras cultivadas inundam, há danos nas estradas, sistemas de água e saneamento são destruídos. Em fevereiro de 2000, ciclones se somaram às cheias, nas cidades de Maputo e Matola. Mais de 650 mil pessoas foram afetadas, milhares de hectares cultivados foram perdidos e grande quantidade de gado morreu afogada.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ano, as calamidades naturais também não ficaram longe dos moçambicanos. Houve ciclones no sul, centro e norte do país. Além de cheias no centro. As pessoas perderam casas, machambas e árvores (que simbolizam os seus antepassados). Perderam parentes e amigos. E as cheias vão continuar, as ventanias também, trazendo mais calamidades no futuro. “Mas os moçambicanos devem ter força de superar as adversidades, dado que venceram inimigos mais fortes no passado. O povo já mostrou que é heróico, corajoso e sábio, características indispensáveis para ultrapassar a dor que todos sentimos neste momento”, declara Armando Guebuza, presidente do país e da Frelimo (partido no poder desde a independência).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, apenas palavras de esperança não vão resolver os problemas dos próximos anos. A construção de barragens, por exemplo, é um sério projeto de infra-estrutura que devia ser pensado com urgência. Assim como todos os outros projetos de infra-estrutura em andamento há anos, sem sair do papel, comuns em países como os nossos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-1682460102401783812?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/1682460102401783812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=1682460102401783812&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/1682460102401783812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/1682460102401783812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2007/08/maldio-na-machamba.html' title='Maldição na machamba'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-5864690416522392775</id><published>2007-07-27T23:51:00.000-03:00</published><updated>2007-11-08T19:58:24.228-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saneamento básico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pobreza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='água'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='África'/><title type='text'>Eva</title><content type='html'>A porta do banheiro fica ao lado da porta de ferro preta do apartamento. É de madeira envelhecida, pintada de branco, mas com camadas descoloridas. Não possui chave nem trinco. Entro e a lâmpada está queimada. No fundo, um degrau de cimento foi construído com um buraco no meio, onde devemos fazer todas as necessidades e também tomar banho. A água usada deve cair no buraco e, provavelmente, poderá ser vista na calçada depois. Eva me mostra como devo fazer para me banhar “de canequinha”. Coloco a água que ela esquentou por cerca de 30 minutos em um pote pequeno, de plástico. Molho meu corpo e me ensabôo. Ao sair da casa de banho, enrolada em uma toalha, há pessoas no corredor que desviam seus olhares para mim. Passo rápido e entro no dormitório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje me mudei para a casa de Eva, uma jovem moçambicana da capital. Ficarei na casa dela durante minha estadia em Maputo. À entrada do prédio não há porteiro, nem grades, nem portas. É apenas uma escada, que surge ao final de um corredor. O dormitório fica no terraço, e a impressão é de que subimos quatro andares. Além da falta de limpeza, não há luz nas escadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entro no dormitório. O primeiro cômodo é a sala, onde há um sofá confortável de cinco lugares, que tem uma cor entre o vinho e o marrom. No canto esquerdo, ficam a televisão, um aparelho de som e o ventilador. As paredes são azuis, com remendos na textura, e a única janela é um pedaço da parede sem cimento, com grades e uma tela. O teto é de telhas de zinco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás dos sofás, de frente para a TV, estão a geladeira, o fogão elétrico e um grande barril azul – onde é depositada a água que servirá para nossos banhos, para lavar a louça e para fazer comida. A porta entre os sofás e a geladeira é a entrada do quarto, onde há duas camas grandes, muitos sapatos enfileirados, cremes e bijuterias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A receptividade de Eva é algo incomum. Mas não para Moçambique, onde todos procuram me agradar. Timidamente, se desculpando, ela me conta do problema de seu apartamento: o banheiro fica do lado de fora e é comunitário. E, na verdade, não é um banheiro. “É assim”, sussurra, abrindo a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Promessa para cinco anos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como Eva, que não tem banheiro nem torneiras em sua casa, sobrevive metade da população. Pouco mais de 40% dos moçambicanos têm água em sua residência e, no campo, os índices chegam a ser nulos. Quando se trata de saneamento, o acesso também é precário: passou de 6% em 1980 para 30% em 1993 e 40% na última década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo prometeu melhorar a situação nos próximos cinco anos, mas as mudanças são lentas. Teve início em abril deste ano um projeto de ampliação da rede de abastecimento nas cidades de Maputo, Matola e vila de Boane – no sul do país. Os gastos serão da ordem de 95 milhões de euros, vindos do Banco Europeu de Investimentos, da União Européia, do Governo da Holanda e da Agência Francesa de Desenvolvimento, com colaboração do próprio governo de Moçambique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora saiba como amarrar o lenço na cabeça, Eva não segue a tradição nas roupas. Tem capulanas, mas elas só saem do armário em situações especiais. Quando fala de sua casa diz que pretende, em breve, procurar outra com melhores condições sanitárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capacidade de produção e de transporte deve ser ampliada para o dobro do que existe hoje. Prevê-se que a disponibilidade de água seja de 24 horas por dia, chegando a um milhão e meio de pessoas nessa região. Embora as perspectivas sejam animadoras, ampliando o acesso, boa parte da população ficará de fora da modernização, que chegará a apenas 73% das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso se falarmos da capital. Em outras províncias e mesmo no interior de Maputo, não há projetos como esse em andamento. Enquanto isso, a inadequada gestão e utilização de água pela população, o modo como se lida com os resíduos e os hábitos de higiene pessoal contribuem para a proliferação de focos de desenvolvimento de doenças como diarréias, disenteria e cólera. Atualmente, a diarréia é responsável por 13% das mortes de crianças com menos de cinco anos no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cheias freqüentes também contribuem para essa situação caótica. Destruíram ou fizeram com que os sistemas de esgoto e de água deixassem de funcionar. Isso leva, periodicamente, a uma cobertura mínima de água tratada nas áreas afetadas e à poluição das fontes de água expostas. Quem sofre são sempre os mais pobres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-5864690416522392775?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/5864690416522392775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=5864690416522392775&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/5864690416522392775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/5864690416522392775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2007/07/eva.html' title='Eva'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-1856439617430764280</id><published>2007-07-25T18:54:00.000-03:00</published><updated>2007-11-08T20:00:53.072-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pobreza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='África'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='transporte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alimentação'/><title type='text'>Cheiros mais fortes</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_pIV-L_yxdbw/RqfIHq7LmgI/AAAAAAAAAAk/SjE7uEB0sqw/s1600-h/capa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5091257937872787970" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pIV-L_yxdbw/RqfIHq7LmgI/AAAAAAAAAAk/SjE7uEB0sqw/s320/capa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;* este foi um dos textos que mais gostei de escrever. Ele é extremamente sensorial e por isso acho que é uma das cenas que melhor consegui descrever e que melhor descrevem o que vivi em Moçambique. A foto é a capa do meu trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São quatro horas da manhã e o despertador acaba de tocar. O chapa (uma pequena lotação bastante destruída) é pontual e está passando na porta da pensão. Entro rápido e vou para o fundo. Os assentos são desconfortáveis, feitos de pequenos filetes de madeira cobertos por plásticos sujos e grossos, na cor vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse chapa nos levará ao ponto terminal do lado continental da Ilha de Moçambique, onde pegarei outro veículo para Nampula. O motorista dá voltas pela Ilha para pegar passageiros e passa mais uma vez em frente à pensão onde me hospedei. Chega à ponte para ir ao continente, mas pára alguns instantes, dá meia volta e começa a circular novamente pela ilha. Olho para as pessoas e sorrio; não há o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu lado sentou-se uma senhora gorda com roupas sujas. A impressão é de são as mesmas roupas utilizadas durante toda a semana. Seu cheiro é azedo, como o dos ônibus de São Paulo em dias chuvosos de verão. Os passageiros mantêm os vidros fechados e, aos poucos, o chapa começa a ganhar um aroma mais forte: como uma mistura de peixe com um tempero agridoce. Meu estômago está se revirando e nenhuma tentativa de escapar desse cheiro é suficiente. Olho para cima, para ver se acima de nossas cabeças o ar circula mais. Abro um pequeno pedaço do vidro à frente, mas outro passageiro logo o fecha. Faço esforço para cochilar e as coisas melhoram um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás de nossos assentos o sol nasce. O chapa pára em frente à ponte e, agora, atravessa. Mal acredito. Mesmo em cima da ponte, no entanto, continua indo e voltando para pegar pessoas e encher o carro, que já está lotado. Chegamos ao ponto final às 5h30 e faço a baldeação para o chapa que nos levará até Nampula. Nossas malas são colocadas no capô, amarradas por cordas. A espera para a partida é longa e, nessas situações, todo cuidado é pouco. Há batedores de carteira, ladrões de malas e os que se aproveitam da lotação para furtar bens dos passageiros distraídos. Em alguns terminais de chapas foram, inclusive, instalados postos policiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sento no último banco, o único com lugares vagos. No espaço em que deveriam ficar quatro pessoas, se equilibram cinco. Ao meu lado, uma mulher muito bonita carrega um bebê que chora. A sensação não é, nem com muito esforço, melhor do que a do carro anterior. Ao contrário, o cheiro de peixe parece mais intenso agora. A viagem é longa, o cheiro é insuportável, cada vez mais pessoas entram no chapa e se empoleiram. Conto mais de cinqüenta passageiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Mercados de estrada&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela estrada, paramos em todas as pequenas cidades que ficam no caminho entre a Ilha de Moçambique e Nampula – capital da província. Em cada uma das paradas, enquanto homens e mulheres descem do veículo para fazer xixi no mato, as janelas do chapa são invadidas: por cheiros de frutas e por vendedores de guloseimas, de legumes, de bebidas alcoólicas, de galinhas vivas, de carregadores de celular, de sapatos, de relógios, de capulanas, de bonés, de perfumes falsificados, de todo tipo de produto que se possa imaginar. Sempre há vendedores de limão e de ovos. Inicialmente, me pergunto para quê alguém na estrada compraria um ovo e como esse ovo chegaria inteiro ao destino. Mas logo percebo que aqueles ovos são cozidos. O passageiro compra, o vendedor quebra a casca na parte de baixo e coloca ali o tempero que o consumidor desejar: uma pitada de sal ou de piri-piri, a pimenta de Moçambique. Logo, aos passageiros se juntam também sacos e mais sacos de todos os tipos de frutas e de legumes, algumas cascas de ovos e até galinhas vivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de fora, assistimos a um fenômeno social. Para fugir do desemprego e tentar sobreviver, cada vez mais pessoas se aglomeram pelas estradas do país, vendendo todo tipo de gêneros. Os vendedores desafiam veículos em movimento e chegam a atravessar a rodovia correndo com seus produtos na cabeça, para convencer o cliente que está do outro lado a comprar. E desafiam também outros vendedores: cada um tenta vender a um único passageiro todos os produtos que possui, de tal maneira que este fica tão atrapalhado que muitas vezes se vê comprando algo desnecessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São jovens de todas as idades, crianças, velhos, homens e mulheres. Nos mercados de estrada, não há distinção entre os vendedores. A mesma insistência e correria faz parte deles. O que muda de uma parada para a outra são os cheiros: de limão, de mandioca, de goiaba, de banana, de castanha, de pão, de ovo, de peixe frito, de carne assada. Todos esses guerreiam com o cheiro do próprio chapa – com mercadorias dos mais diversos gêneros e lotado de perfumes naturais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-1856439617430764280?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/1856439617430764280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=1856439617430764280&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/1856439617430764280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/1856439617430764280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2007/07/cheiros-mais-fortes.html' title='Cheiros mais fortes'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_pIV-L_yxdbw/RqfIHq7LmgI/AAAAAAAAAAk/SjE7uEB0sqw/s72-c/capa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-5323185122394647320</id><published>2007-07-25T18:29:00.001-03:00</published><updated>2007-11-08T20:02:24.363-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='metalinguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alimentação'/><title type='text'>De volta</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_pIV-L_yxdbw/RqfGQK7LmfI/AAAAAAAAAAc/0Kfmn6fY0b0/s1600-h/DSC00941.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5091255884878420466" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pIV-L_yxdbw/RqfGQK7LmfI/AAAAAAAAAAc/0Kfmn6fY0b0/s320/DSC00941.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há tempos não relia os textos publicados neste blog. Coincidentemente, a previsão para 2007 não estava errada. Com comilanças pelo mundo, engordei 6 quilos - que quase já perdi. E o melhor de tudo: dei início à minha trajetória culinária com um cuscuz muitíssimo bem feito. É verdade que depois dessa experiência não tentei cozinhar mais nada... mas pra que mexer no que já está bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas vontades de escrever são mais do que inconstantes. Por isso esse vai e volta de tantas vezes em um único blog. Hoje, surgiu a vontade lendo o blog de um jornalista fotográfico português, que foi para o Afeganistão fazer uma reportagem sobre as tropas portuguesas no país (!). Apesar da origem da viagem, o blog é interessante por trazer algumas histórias do que ele tem vivido por lá. Para quem se interessar, o link é: &lt;a href="http://visao.clix.pt/default.asp?CpContentId=333811"&gt;http://visao.clix.pt/default.asp?CpContentId=333811&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a vontade, claro, não é desinteressada. Vou colocar aqui, nos próximos dias, alguns dos textos que fiz em Moçambique (coincidentemente, também, o blog se chama "Diários de Cabul" e o meu trabalho se chama "Diários de Moçambique" - puta falta de criatividade, pelo visto). Enfim, meus textos africanos são bastante parecidos com o que é possível ver no blog português. Se a tecnologia ajudar e não travar meu computador de novo, coloco inclusive fotos com os relatos!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-5323185122394647320?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/5323185122394647320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=5323185122394647320&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/5323185122394647320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/5323185122394647320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2007/07/de-volta.html' title='De volta'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_pIV-L_yxdbw/RqfGQK7LmfI/AAAAAAAAAAc/0Kfmn6fY0b0/s72-c/DSC00941.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-3939614092857995627</id><published>2007-01-17T13:17:00.000-02:00</published><updated>2007-11-20T13:59:48.994-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='segurança'/><title type='text'>Cuidado com os piratas virtuais</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_pIV-L_yxdbw/R0L_qhOHoAI/AAAAAAAAADE/MugFzfwk_lQ/s1600-h/emails_fraude.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pIV-L_yxdbw/R0L_qhOHoAI/AAAAAAAAADE/MugFzfwk_lQ/s400/emails_fraude.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134947631092965378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alertas sobre pendências financeiras, versões atualizadas gratuitas de antivírus, dicas de como ganhar dinheiro fácil, cartões virtuais de desconhecidos. E-mails com esse tipo de informação chegam aos montes em todas as caixas de mensagens e escondem perigos para a segurança do internauta. Proteja-se!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2005, as tentativas de fraude pela internet cresceram 579% com relação a 2004, de acordo com estatísticas do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.Br), mantido pelo Comitê Gestor da Internet (CGI). Nem todas essas notificações de fraude se referem a incidentes que realmente ocorreram, mas é importante saber como se prevenir das tentativas de golpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Normalmente o ataque por e-mail tenta levar a pessoa a acreditar em algum fato urgente e a seguir um link ou instalar um código malicioso em seu computador, em geral chamado de cavalo de tróia. Quando o usuário instala o programa, os atacantes passam a ter controle total sobre a máquina, podendo interceptar todas as ações do usuário”, alerta Cristine Hoepers, analista de segurança do CERT.br.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o aumento do número de usuários domésticos conectados à internet – 12,4% a mais em 2005 do que em 2004, segundo o Ibope//NetRatings – o foco dos atacantes tem se direcionado para as máquinas desses usuários. Computadores domésticos são utilizados para realizar inúmeras tarefas, como transações financeiras (bancárias ou compras pela internet), armazenamento de dados, comunicação por e-mail e mensagens instantâneas. Por esse motivo é importante se preocupar com a segurança do computador, para não ter senhas e números de cartão de crédito furtados e utilizados por outra pessoa, para que o computador não se torne um emissor de spam nem um propagador de vírus, e ainda para que nenhuma atividade ilícita seja realizada a partir da conexão do usuário à internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para se proteger de fraudes online é necessário que as pessoas encarem a internet com o mesmo cuidado com que encaram qualquer transação financeira fora do mundo virtual. É necessário que além de ações preventivas do ponto de vista tecnológico, o usuário também mude seu comportamento. Para isso, deve utilizar senhas fortes e diferentes para cada serviço, jamais executar arquivos recebidos sem ter certeza de sua origem, não fornecer dados pessoais e senhas por e-mail, não acessar sites ou links recebidos por e-mail e sobre os quais não saiba a procedência”, enfatiza Cristine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Quando a tecnologia não ajuda muito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;As crianças são um alvo muito mais suscetível a sofrer golpes pela internet. Como alguns cuidados – direcionados aos adultos – não são de fácil apreensão para crianças de qualquer idade, há uma série de recomendações para protegê-las de fraudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bloquear a entrada das crianças em sites não confiáveis não resolve o problema, porque para a criança burlar um mecanismo de segurança é fácil. Hoje em dia ela acaba sabendo mais de computador que os adultos. Dessa forma, só a informação transmitida pelos pais pode ajudar de verdade [a evitar ataques virtuais]”, afirma André Carraretto, engenheiro de sistemas da Symantec Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tratamos de ataques que as crianças podem sofrer em seus acessos à internet, chegamos a um ponto em que a tecnologia não ajuda 100%. O que mais vale nessa hora é a educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com Ana Cláudia Alves, gerente de produtos de segurança da Microsoft, a principal forma de evitar esse tipo de ataque é aconselhar a criança a não participar de chats com desconhecidos, nem passar informações sobre ela ou sobre os pais a ninguém com quem converse pela internet. Os pais também devem orientar os filhos a avisá-los em caso de questionamentos ou formulários que exijam dados pessoais. Além disso, é recomendável estimular as crianças a navegar em sites educativos e participar de brincadeiras e desafios em domínios que sejam confiáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Seu nome no SERASA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Os golpes que chegam por e-mail, em geral, são bem elaborados, mas basta um pouco de atenção para verificar uma série de incoerências. Em geral, as mensagens são bem parecidas com as enviadas pelas instituições verdadeiras, mas muitas possuem imagens quebradas, textos fora de formatação, erros de português – raramente encontrados em e-mails de empresas que investem tanto em publicidade para atrair clientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Títulos de mensagens para deixar o internauta curioso ou assustado, como “Seu nome no SERASA”, ou que apelam para caridade ou para possibilidades de obter vantagem financeira são bastante comuns. Confira na tabela acima os tipos mais comuns de fraudes por e-mail e veja abaixo como se prevenir de ataques virtuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ao identificar um spam como sendo um caso de fraude deve-se guardar o conteúdo completo da mensagem recebida. Só assim será possível identificar o site utilizado para hospedar o esquema fraudulento”, esclarece Cristine. Se o usuário já foi lesado de alguma forma por um ataque virtual, deve entrar em contato com a operadora de cartão de crédito ou com o banco cuja senha tenha sido fraudada, além de registrar um boletim de ocorrência (BO). Caso o spam com a tentativa de fraude seja relacionado ao nome de alguma empresa, como Microsoft ou Symantec, o usuário também deve comunicar a respectiva empresa sobre o ataque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Proteja-se dos ataques fraudulentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;color:black;" &gt;&lt;li&gt; procure sempre digitar em seu &lt;i&gt;browser&lt;/i&gt; (no espaço superior da tela de internet) o endereço desejado. Não utilize links recebidos por e-mail&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: normal;color:black;" &gt;&lt;li&gt; certifique-se de que o endereço apresentado em seu &lt;i&gt;browser&lt;/i&gt; corresponde ao site que você realmente quer acessar, antes de realizar qualquer ação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: normal;color:black;" &gt;&lt;li&gt; certifique-se de que o site faz uso de conexão segura: verifique se em páginas em que você digita dados pessoais o endereço se inicia com https:// e não apenas http:// e se há um cadeado na parte inferior direita da página&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: normal;color:black;" &gt;&lt;li&gt; entre em contato com a instituição se receber e-mails urgentes que peçam suas informações bancárias ou de cartão de crédito, para se certificar de que a própria instituição lhe enviou o e-mail&lt;/li&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt; fique atento a casos de novas fraudes por e-mail divulgadas pela mídia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt; não utilize computadores de terceiros para realizar transações financeiras ou compras pela internet&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt; desligue sua webcam (caso você possua alguma), ao acessar um site de comércio eletrônico ou Internet Banking&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt; &lt;span style="font-weight: normal;color:black;" &gt;configure seu &lt;i&gt;browser&lt;/i&gt; para bloquear pop-ups e permiti-los apenas para sites conhecidos e confiáveis: pop-ups também podem ser programas executáveis fraudulentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: normal;color:black;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt; configure seu programa leitor de e-mails para não abrir arquivos ou executar programas automaticamente&lt;span style="font-weight: normal;color:black;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt; cheque se o endereço digitado permanece inalterado no momento em que o conteúdo do site é apresentado no &lt;i&gt;browser&lt;/i&gt;; existem algumas situações em que o acesso a um site pode ser redirecionado para uma página falsificada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;color:black;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt; os fraudadores utilizam técnicas para ofuscar o real link para o arquivo malicioso; ao passar o cursor do mouse sobre o link, é possível ver o real endereço do arquivo malicioso na barra inferior do programa leitor de e-mails&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;color:black;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt; fique atento aos arquivos com extensões ".exe", ".zip" e ".scr", pois estas são as mais utilizadas; outras extensões freqüentemente usadas por fraudadores são ".com", ".rar" e ".dll"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt; no caso de mensagem recebida por e-mail, o remetente nunca deve ser utilizado como parâmetro para atestar a veracidade de uma mensagem, pois pode ser facilmente forjado pelos fraudadores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt; na pasta "Painel de Controle" de seu computador, você tem acesso a um item chamado "Opções da Internet", onde pode desabilitar alguns tipos de arquivos em sua máquina, ou, ainda, escolher uma configuração de "Segurança Alta", diminuindo as chances de arquivos fraudulentos se alojarem em seu computador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Para saber mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil: &lt;a href="http://www.cert.br/"&gt;http://www.cert.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Site antispam: &lt;a href="http://www.antispam.br/"&gt;http://www.antispam.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dicas de segurança da Microsoft: &lt;a href="http://www.microsoft.com/brasil/security/"&gt;http://www.microsoft.com/brasil/security/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programas antivírus gratuitos para download: &lt;a href="http://pcworld.com.br/dicas/2006/01/31/idgnoticia.2006-01-31.4272923692/IDGNoticia_view"&gt;http://pcworld.com.br/dicas/2006/01/31/idgnoticia.2006-01-31.4272923692/IDGNoticia_view&lt;/a&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-family:Verdana;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;/li&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-3939614092857995627?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/3939614092857995627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=3939614092857995627&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/3939614092857995627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/3939614092857995627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2007/11/cuidado-com-os-piratas-virtuais.html' title='Cuidado com os piratas virtuais'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_pIV-L_yxdbw/R0L_qhOHoAI/AAAAAAAAADE/MugFzfwk_lQ/s72-c/emails_fraude.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-116670547360738697</id><published>2006-12-21T10:33:00.000-02:00</published><updated>2006-12-21T18:49:06.883-02:00</updated><title type='text'>Nem tudo muda</title><content type='html'>Contrariando tendências e expectativas, sou eu quem vai fazer os doces para o Natal da família. Não lembro de alguma vez ter tentado fazer doces na vida... Gelatina não vale, certo? E pipoca doce?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas precisa ser, acima de tudo, um doce diferente. Diferente dos pudins, bolos de mel e gelatinas coloridas com leite condensado, comuns nos encontros familiares. Até agora, só consegui pensar no doce que comi na casa do Hortinha há alguns dias: sorvete, chantilly, suspiros e calda de uva. Acho que esse eu consigo fazer. Mas preciso de mais!!! De preferência, de algum outro em que meu trabalho seja mais artesanal do que culinário, hohoho... Sugestões?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, descobri - depois de um ano trabalhando no Idec - que na casa da frente tem uma mangueira, aquela árvore que dá manga (hahaha). Hmmmm... Um doce com frutas também seria uma boa idéia, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás (2), ontem comi um bolo musse de chocolate na festa de final de ano da APBM&amp;F (um dos meus trabalhos). Estava uma delícia! A mesinha com doces era convidativa: pelo menos dez tipos diferentes, esperando para serem devorados! Mas cada pessoa só tinha direito a uma escolha. Difícil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, tem bolo musse de chocolate?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem, é este aqui - responde simpaticamente o garçom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você pode cortar um pedaço beeem grande pra mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Beeem grande? - e o garçom me olha, disfarçando uma risada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim!!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ritmo, 2007 que me aguarde!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-116670547360738697?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/116670547360738697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=116670547360738697&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/116670547360738697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/116670547360738697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2006/12/nem-tudo-muda.html' title='Nem tudo muda'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-116526896447549900</id><published>2006-12-04T18:56:00.000-02:00</published><updated>2006-12-04T19:59:33.113-02:00</updated><title type='text'>Cidade Maravilhosa</title><content type='html'>Sempre volto do Rio mais feliz (e, desta vez, mais morena também). Passeios pelo Arpoador e dias esturricando em Ipanema, além do quarto barulhento do albergue são insubstituíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, o quarto era para 10 pessoas e minha cama - a parte de cima de um beliche - ficava encostada à janela do banheiro (que era tampada por um plástico azul luminoso). Apesar do cuidado precioso para que ninguém abrisse a janela e levasse meu rosto junto, aquele era o melhor lugar do albergue para saber das fofocas - de tudo o que rola quando todos estão dormindo... Engraçadíssimo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ponto baixo da viagem foi a inimizade conquistada com um argentino. A situação foi a seguinte: era sábado à noite e fomos para a Lapa (eu, o Horta, o Luiz - que trabalha comigo e encontrei por acaso no Rio, e mais uma gringaiada que estava no albergue). Por incrível que pareça, a Lapa estava vazia. Uma meia dúzia de pessoas espalhadas pelas ruas e bares fechados - apesar de ser umas 2h da manhã. Com tanta animação, acabamos voltando para o albergue em uma das vans dirigidas muuuito cuidadosamente pelos motoristas cariocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui conversando com um argentino, que disse que a irmã é jornalista e trabalha no Clarín. Enfim, conversávamos sobre amenidades do mundo midiático quando, de repente, vi três baratas juntas passeando pelo calçadão e dei um salto corrido pra frente, a trotadas. O argentino, sem saber o motivo da minha corrida, saiu correndo também. Eu, já do outro lado da rua, parei, e ele chegou depois esbaforido. Quando soube o motivo da disparada, se recusou a falar comigo novamente. Atrás, o Horta, o Luiz e os outros gringos riam da cena...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi muito divertido! Já estou com saudade outra vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-116526896447549900?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/116526896447549900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=116526896447549900&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/116526896447549900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/116526896447549900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2006/12/cidade-maravilhosa.html' title='Cidade Maravilhosa'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-116425560151605784</id><published>2006-11-23T02:08:00.000-02:00</published><updated>2006-12-09T20:00:57.770-02:00</updated><title type='text'>Diário</title><content type='html'>Acabei de voltar de um evento-show com o Barão Vermelho. Maravilhoso ouvir "Codinome Beija Flor" ao vivo, com direito a clipe com o Cazuza e trechos reproduzidos com a sua voz. Quando comecei a gostar de música, uma das coisas que mais ouvia era Cazuza. Acho que hoje entendi porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perspectiva de receber pela labuta está cada vez mais distante. Antes era no mês que vem, agora será no ano que vem, se tudo der certo. Trabalha, trabalha, nego!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha alma canta. Vejo o Rio de Janeiro. Estou morrendo de saudade. Rio teu mar, praias sem fim. Rio, você foi feito pra mim. Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara. Esse samba é só porque, Rio eu gosto de você... (Tom Jobim) - Depois de meeeses, voltarei ao Rio. Mal vejo a hora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filmes maravilhosos para finais de semana em São Paulo:&lt;br /&gt;"Pequena Miss Sunshine" - enredo e trilha sonora muito bons. Comédia sem grandes apelos e garantia de boas risadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Amistad" - África, África, que vontade de que abril chegue voando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vestida para matar" - dirigido por Brian de Palma, ótimo suspense. E como diria qualquer bom redator (ou professor de redação): "Presta atenção no título. Ele diz tudo!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-116425560151605784?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/116425560151605784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=116425560151605784&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/116425560151605784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/116425560151605784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2006/11/dirio.html' title='Diário'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-116316457405766432</id><published>2006-11-10T11:12:00.000-02:00</published><updated>2006-11-10T11:25:33.533-02:00</updated><title type='text'>Parteira, profissão que renasce</title><content type='html'>&lt;em&gt;Unindo ciência e tradição, enfermeiras obstétricas ganham espaço na assistência ao parto&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às seis horas da manhã de uma sexta-feira, Helka enfrentava as dores do trabalho de parto num congestionamento da Marginal Tietê, na capital paulista. Chegou a pensar em correr para o hospital mais próximo, mas desistiu. Seu primeiro filho, Yan, hoje com 9 anos, nascera num parto cheio de intervenções médicas desnecessárias, e agora ela queria um atendimento mais humanizado, sem correria nem tratamento impessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente chegou à Casa de Parto de Sapopemba, na zona leste da cidade, as enfermeiras obstétricas vieram recepcioná-la na porta, chamando-a pelo nome – apesar de ela ter estado ali apenas uma vez. Helka recebeu massagens e tomou chás para aliviar a dor e logo a bolsa estourou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após encontrar uma posição confortável para o parto – ela preferiu ficar na vertical –, sentiu-se pronta e segura para o grande momento. A todo instante as enfermeiras explicavam os movimentos do bebê e o porquê de cada dor, tranqüilizando-a. Às sete e quarenta Rav nasceu e, antes mesmo de ter o cordão umbilical cortado, foi para o colo da mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No imaginário cultural brasileiro, as figuras de assistência ao parto se resumem a médicos, em hospitais, e parteiras, em áreas pobres do interior do país. Uma figura ainda pouco conhecida, mas que tem ganhado o reconhecimento do governo e da sociedade, é a das parteiras profissionais – enfermeiras obstétricas que atuam nas grandes cidades e vêem o parto como um evento natural, que, se estiver bem preparado e livre de complicações, pode muito bem ocorrer fora de um hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como herança das parteiras tradicionais – que aprenderam o ofício na prática –, essas profissionais sabem da importância de tratar a mulher como protagonista no parto, respeitando seus desejos e aliviando as dores com conforto emocional, técnicas de relaxamento e chás. Diferentemente do que acontece na zona rural, entretanto, elas foram formadas em universidades para fazer o parto de gestantes de baixo risco e são tão capacitadas quanto os médicos obstetras para esse atendimento. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Texto feito para a Revista Problemas Brasileiros nº 377, de setembro/outubro de 2006 - Para ler a reportagem completa clique no título)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-116316457405766432?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/artigo.cfm?Edicao_Id=255&amp;breadcrumb=1&amp;Artigo_ID=4010&amp;IDCategoria=4428&amp;reftype=1' title='Parteira, profissão que renasce'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/116316457405766432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=116316457405766432&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/116316457405766432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/116316457405766432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2006/11/parteira-profisso-que-renasce.html' title='Parteira, profissão que renasce'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-116307661117270046</id><published>2006-11-09T10:36:00.000-02:00</published><updated>2006-11-09T10:50:11.196-02:00</updated><title type='text'>Desigualdades</title><content type='html'>Nas minhas aulas de redação, o assunto é desigualdade. Interessante perceber a quantidade de alunos envolvidos em situações de violações de direitos: amigos, pais e irmãos presos; ausência do direito à educação; sem direito à liberdade de pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos deles se dão conta de que a liberdade que procuram - se afastando das asinhas dos pais - de nada adiantará enquanto não for conquistada a liberdade de pensar, de agir por algum objetivo. E isso é difícil conseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas que já se conheceram sempre sentirão as mesmas coisas. E terão as mesmas reações às situações. Às vezes isso funciona. E é bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A saudade é como uma tatuagem na alma. Só conseguimos apagá-la arrancando um pedaço de nós mesmos." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As frases são do Mia Couto, escritor moçambicano, e estão em seu livro mais recente: "O outro pé da sereia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, ao invés de apagar a tatuagem, deixando uma cicatriz, é possível desenhar em cima dela. Fica mais bonito. E dói menos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-116307661117270046?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/116307661117270046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=116307661117270046&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/116307661117270046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/116307661117270046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2006/11/desigualdades.html' title='Desigualdades'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-114479313303321397</id><published>2006-04-11T19:02:00.000-03:00</published><updated>2006-04-11T19:05:33.046-03:00</updated><title type='text'>Hora de mudar</title><content type='html'>&lt;p&gt;Preciso pedir demissão de novo. Ou viajar para bem longe. Ou fazer alguma merda bem grande pra sentir que as coisas estão mudando. Tempos de mudança podem fazer a gente chorar muito, mas tempos inertes são piores. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Falta aquela coisinha lá dentro gritando, sabe? Aquela vontade maluca de fazer qualquer coisa que não possa ser publicada. Aquela vontade de contar que vai pra sabe deus onde, de mochila nas costas, sozinha, e ouvir um "ahhh" das pessoas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez seja a idade. Talvez seja o coração amolecendo e dizendo que é melhor ficar onde já está. Talvez seja uma raiva contida por coisas erradas que tantas vezes já foram feitas sabe-se lá por quem. Não acredito que as coisas mudam sozinhas, nem que a gente possa descobrir de um segundo para outro como mudá-las. Mas às vezes dá pra sentir...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-114479313303321397?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/114479313303321397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=114479313303321397&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/114479313303321397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/114479313303321397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2006/04/hora-de-mudar.html' title='Hora de mudar'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-114356502429256315</id><published>2006-03-28T13:54:00.000-03:00</published><updated>2006-03-28T13:57:04.306-03:00</updated><title type='text'>Coisas estranhas</title><content type='html'>Coisas estranhas têm acontecido. Pela segunda vez, em poucos dias, deixo a luz do meu quarto acesa pouco antes de dormir. Saio do quarto para qualquer coisa e ela se apaga, sozinha, sem fazer barulho ou pedir licença. Não há mau contato nem a lâmpada está velha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-114356502429256315?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/114356502429256315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=114356502429256315&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/114356502429256315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/114356502429256315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2006/03/coisas-estranhas.html' title='Coisas estranhas'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-114083288603538668</id><published>2006-02-24T22:58:00.000-03:00</published><updated>2006-02-24T23:01:26.053-03:00</updated><title type='text'>Remember me</title><content type='html'>&lt;p&gt;"It is no accident that you are reading this. I am making black marks on white paper. These marks are my thoughts, and although I do not know who you are reading this now, in some way the lines of our lives have intersected... For the length of these few sentences, we meet here.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;It is no accident that you are reading this. This moment has been waiting for you, I have been waiting for you. Remember me."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Duane Michaels&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-114083288603538668?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/114083288603538668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=114083288603538668&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/114083288603538668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/114083288603538668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2006/02/remember-me.html' title='Remember me'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-114065939385921372</id><published>2006-02-22T22:49:00.000-03:00</published><updated>2006-02-22T22:49:53.860-03:00</updated><title type='text'>Fazer valer a pena</title><content type='html'>&lt;p&gt;Há tempos não conseguia enumerar eventos catárticos. Pois bem, eles vêm, mais cedo ou mais tarde, com maior ou menor intensidade. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;70 mil pessoas balançando as mãos na mesma direção e entoando o mesmo som, em um estádio que brilhava como céu com milhares de pequenas luzes acesas (tudo bem, na minha juventude - hahaha - eram isqueiros acesos que produziam esse efeito; atualmente são celulares ligados). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Um mico enorme de chegar um dia atrasada em uma festa, entrar na casa dos anfitriões (anfitriães?), perguntar o que eles fazem da vida e ir embora o mais rápido possível com a desculpa (verdadeira) de que seu último ônibus passa no ponto em 15 minutos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Pouca coisa sim, em pequena intensidade sim, mas uma balançada de qualquer forma. Me parece que coisas desse tipo tomam decisões por você. São mais corajosas que você. São mais ébrias que você. E são muito boas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-114065939385921372?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/114065939385921372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=114065939385921372&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/114065939385921372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/114065939385921372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2006/02/fazer-valer-pena_22.html' title='Fazer valer a pena'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-113137880159567883</id><published>2005-11-07T13:40:00.000-02:00</published><updated>2005-11-07T13:53:21.606-02:00</updated><title type='text'>Lavagem manual com seguro contra chuva</title><content type='html'>» A frase publicitária é do posto de gasolina próximo ao número zero da Avenida Sumaré. Sinais da recessão econômica, afinal os índices positivos estão sempre apenas nos papéis de jornal. O que não se faz hoje em dia em busca de clientes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;» Um filme com o mesmo diálogo (que dura cerca de 30 minutos) três vezes. "Flerte" é o nome da arte. Altamente não recomendável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;» Nunca imaginei na vida que veria uma Jazz Band "russa". Indescritível! Divertidíssimo! Nunca imaginei também que sairia dançando atrás de uma Jazz Band "russa"... hahaha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-113137880159567883?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/113137880159567883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=113137880159567883&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/113137880159567883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/113137880159567883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/11/lavagem-manual-com-seguro-contra-chuva.html' title='Lavagem manual com seguro contra chuva'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-113103195125696265</id><published>2005-11-03T13:30:00.000-02:00</published><updated>2005-11-03T13:32:31.266-02:00</updated><title type='text'>Quando tudo parece perfeito...</title><content type='html'>Ando muito indecisa. Sempre mudei bastante de opinião sobre as pessoas, as relações, a importância de cada coisa, o que é ou não mais relevante. O problema é que ultimamente a intensidade e a rapidez de tudo isso está muito maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe quando você encontrou o emprego que queria e diz “e daí”? Ou aquela pessoa que você se esforçou para reencontrar e acabou conseguindo, daí ninguém tinha o que falar? Ou aquela economia que você sempre quis fazer e finalmente conseguiu juntar o dinheiro, mas pra comprar o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que tenho muitos planos, mas que nenhum deles é de verdade. Não que eu vá deixa-los pra trás não, ou que eles sejam fúteis. Muitas das coisas que quero fazer agora vou realmente fazer. Mas qual a importância delas de verdade para mim? Quantas vezes vou lembrar delas depois de concretizadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apesar de pensar sobre isso, não me preocupo também. Acho que estou tranqüila demais. Talvez tenha me esforçado muito para aprender a não encanar com as coisas e estou o oposto do que sempre fui. E não tenho idéia se isso é melhor ou pior. Talvez seja indiferente. Ou talvez, na verdade, eu não tenha mudado em nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-113103195125696265?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/113103195125696265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=113103195125696265&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/113103195125696265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/113103195125696265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/11/quando-tudo-parece-perfeito.html' title='Quando tudo parece perfeito...'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-113052814896405183</id><published>2005-10-28T17:30:00.000-02:00</published><updated>2005-10-28T17:35:48.976-02:00</updated><title type='text'>Gotas de Clarice Lispector</title><content type='html'>"Esse esforço que farei agora por deixar subir à tona um sentido, qualquer que seja, esse esforço seria facilitado se eu fingisse escrever para alguém. Mas receio começar a compor para poder ser entendida pelo alguém imaginário, receio começar a "fazer" um sentido, com a mesma mansa loucura que até ontem era o meu modo sadio de caber no sistema. Terei de ter a coragem de usar um coração desprotegido e de ir falando para o nada e para o ninguém? - assim como uma criança pensa para o nada - e correr o risco de ser esmagada pelo acaso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-113052814896405183?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/113052814896405183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=113052814896405183&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/113052814896405183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/113052814896405183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/10/gotas-de-clarice-lispector.html' title='Gotas de Clarice Lispector'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-113024005981328168</id><published>2005-10-25T09:28:00.000-02:00</published><updated>2005-10-25T09:34:19.820-02:00</updated><title type='text'>Sensações</title><content type='html'>"E o que é que ainda estão fazendo as crianças dentro do colégio?&lt;br /&gt;Já que o sol está brilhando como nunca do lado de fora da sala de aula&lt;br /&gt;E há uma única pétala vermelha na haste dessa rosa que continua bela, gritando..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o céu paulistano amanheceu lindo, como nos mais belos dias das mais gostosas cidades litorâneas que já conheci. O sol forte, mas não quente o suficiente para matar o ventinho que soprava - como o das brisas marinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro dias de primavera. Eles sempre me fazem lembrar de tempos bons. E eles sempre são bons. Muito bons.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-113024005981328168?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/113024005981328168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=113024005981328168&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/113024005981328168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/113024005981328168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/10/sensaes.html' title='Sensações'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112992227029976218</id><published>2005-10-21T17:10:00.000-02:00</published><updated>2005-10-21T17:17:50.306-02:00</updated><title type='text'>Só por vício</title><content type='html'>Hoje pedi demissão de mais um emprego. Apesar do costume - sim, pedir demissão também vicia - sempre fico um tantinho mais feliz quando faço isso. Surge outra vez a possibilidade de mais tempo livre - para mim e para ficar com as pessoas de que gosto, a possibilidade de dormir até mais tarde nos dias em que tiver vontade, a possibilidade de curtir a piscina nos dias de sol que hão de vir!&lt;br /&gt;Uma pontinha de mim sempre diz que eu gosto muito de começar coisas novas, mas gosto mais ainda de terminar com elas. Talvez por isso faça tantas coisas ao mesmo tempo, por ter a certeza de que elas acabam, de que coisas mais interessantes virão depois.&lt;br /&gt;Da última vez em que pedi demissão fiz a melhor viagem da minha vida. O que será que vem agora?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112992227029976218?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112992227029976218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112992227029976218&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112992227029976218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112992227029976218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/10/s-por-vcio.html' title='Só por vício'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112955747217590228</id><published>2005-10-17T11:52:00.000-02:00</published><updated>2005-10-17T11:57:52.183-02:00</updated><title type='text'>In my life</title><content type='html'>There are places I’ll remember&lt;br /&gt;All my life though some have changed&lt;br /&gt;Some forever not for better&lt;br /&gt;Some have gone and some remain&lt;br /&gt;All these places have their moments&lt;br /&gt;With lovers and friends I still can recall&lt;br /&gt;Some are dead and some are living&lt;br /&gt;In my life I’ve loved them all&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(The Beatles)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112955747217590228?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112955747217590228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112955747217590228&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112955747217590228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112955747217590228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/10/in-my-life.html' title='In my life'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112837096298041429</id><published>2005-10-03T17:21:00.000-03:00</published><updated>2005-10-03T17:22:42.986-03:00</updated><title type='text'>Despedidas - terceira tomada</title><content type='html'>Entraram em casa com cuidado, em silêncio. Ainda era cedo e a luz que entrava pela janela em frente à escada clareava o ambiente deixando-o amarelecido. A menininha dormia no colo da mãe. Dormira desde o início da viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desconforto era geral. Ninguém sabia ao certo se devia falar, se podia falar, se queria pensar ou sentir mais alguma coisa. A mãe subiu a escada devagar, com a criança apoiada nos braços, para colocá-la na cama. Fechou as cortinas com cuidado e percebeu que ao se afastar a menininha abriu um pouco os olhinhos castanhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tinham se preparado bastante para o momento, mas esse é o tipo de acontecimento para o qual não adianta se preparar. E acredito também que é o tipo de acontecimento ao qual não se consegue acostumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram cedo ao orfanato e a menininha de pouco mais de um metro tinha acabado de almoçar. Macarrão com salsichas, seu prato preferido, aconselhou a assistente. Estava com uma blusinha azul e calça de moletom, sentadinha brincando com os amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos começaram a se despedir. Para ela, provavelmente, mais um ritual desnecessário, mais uma despedida pela qual não pediu passar, mais um adeus para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua malinha era bem pequena: uma ou duas calças, algumas poucas blusinhas de verão e um moletom para o frio, além de uma sandália com a sola já gasta. Entregaram as coisinhas à mãe, que estava à porta com o resto da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês vão deixar ela assistir televisão? Deixa, porque ela gosta bastante de assistir televisão – lembrou seu amiguinho de cinco anos - três a mais do que a menininha -, que estava à espera da vez de se despedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela foi para o carro no colo da mãe, sem chorar ou reclamar. Não falou nada, nem um resmungo, nem uma palavra solta, nem um som de adeus. Como nas cenas de filme, todos ficaram à porta para dar um último tchau. E pediram para que não esquecêssemos de mandar notícias. O carro deu partida e ganhou a estrada. A menininha já dormia, tranqüilamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112837096298041429?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112837096298041429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112837096298041429&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112837096298041429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112837096298041429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/10/despedidas-terceira-tomada.html' title='Despedidas - terceira tomada'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112834860855795777</id><published>2005-10-03T11:09:00.000-03:00</published><updated>2005-10-03T11:10:08.563-03:00</updated><title type='text'>Bem Vindos</title><content type='html'>Estamos em uma pequena cidade sueca no início dos anos 1970. Amores, crenças e paixões colocados à prova a cada instante. Uma casa dividida entre cerca de dez pessoas com objetivos semelhantes - um casal que prega o amor livre, outro que acabou de se separar (a mulher virara lésbica), um homossexual, algumas crianças, outro casal com crenças mais fortes no anarquismo. Além de roupas características dos hippies, a casa não tinha televisão e lá eles não comiam carne. O clímax vem com a chegada de estranhos ao ambiente e uma série de transformações no pensamento de cada um daqueles que viviam sob o mesmo teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é o &lt;strong&gt;Bem Vindos&lt;/strong&gt;, do diretor sueco Lukas Moodysson, que assisti pela primeira vez em 2001, nos tempos de cursinho. Assisti novamente ontem e, apesar de gostar bastante, todo aquele cenário de contradição me pareceu mais familiar. É um ótimo retrato de uma sociedade quase distante da nossa. Recomendo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É contraditório como eu me afasto, mesmo sentindo falta, e me reaproximo, já não sentindo tanta falta, de muitas pessoas. Neste final de semana revi pessoas que já foram muito importantes alguns anos atrás, na minha vida de início de trabalho sério. Havia me esquecido do quanto algumas delas me incentivavam, em diversos assuntos. Mesmo timidamente e sem que elas percebessem, amadureci bastante com o convívio. Deu saudade, mesmo que não acompanhada de alguma vontade de voltar atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sempre haverá entre nós o amor. Sempre haverá entre nós o tempo. Sempre haverá entre nós as horas." É assim, ou mais ou menos assim, que termina e que começa o filme &lt;strong&gt;As Horas&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também revi esse filme no final de semana e a primeira vez que assisti foi em um carnaval remoto, de 2003 ou 2004, não consigo lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três mulheres aparentemente muito bem - com maridos ótimos, bem sucedidas na carreira, com vários amigos e bens materiais - têm crises pela falta de algo que não sabem o que é. Todas querem mudar a vida de alguma maneira, mas se culpam por jogar fora vidas aparentemente perfeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo me prender a alguma vida, não consigo ainda criar raízes nem achar que as coisas devem continuar como estão. Tudo está acontecendo e mesmo assim não quero continuar com tudo isso por muito tempo. O que não significa, no entanto, que eu não esteja gostando de todas as novidades. Precisava aprender a me focar. Foco, Lúcia! Foco!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112834860855795777?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112834860855795777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112834860855795777&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112834860855795777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112834860855795777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/10/bem-vindos.html' title='Bem Vindos'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112776836276975449</id><published>2005-09-26T17:47:00.000-03:00</published><updated>2005-09-26T17:59:22.773-03:00</updated><title type='text'>Leis de compensações</title><content type='html'>Tenho me encantado com crianças. Com a ingenuidade delas. Com a sinceridade delas. As conversas quase adultas com minha irmãzinha me fazem melhor. Ela é uma das pessoas que me faz ter mais vontade de viver intensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;********************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei ontem de Curitiba debaixo de chuva e sempre que volto de viagem me sinto melancólica. Cada despedida que vejo na rodoviária me faz lembrar de várias outras. Viajar vicia, a gente se acostuma fácil. Começo a achar que também nos acostumamos a despedidas. Isso já não me dá tanto medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;********************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou começar a natação. E comprar um computador. E guardar dinheiro para fazer intercâmbio. E se os gnomos não atrapalharem, pôr em prática muitos outros planos. Alguém sabe onde dá pra comprar tempo a preços de banana?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112776836276975449?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112776836276975449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112776836276975449&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112776836276975449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112776836276975449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/09/leis-de-compensaes.html' title='Leis de compensações'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112628921877410509</id><published>2005-09-09T14:59:00.000-03:00</published><updated>2005-09-09T15:06:58.783-03:00</updated><title type='text'>Efeito boomerang</title><content type='html'>&lt;a onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u13691.shtml" target="_blank"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u13691.shtml&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritava roucamente como alguém que sofre de asma e não consegue, por alguns instantes, respirar. Gritava sem voz. Sussurrava um grito. Estava vermelho. Sufocava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A professora abriu a porta correndo e gritou por socorro. Pediu para que uma das alunas chamasse rapidamente a diretora, para que enviassem uma ambulância à escola. Pedrinho precisava de ar puro urgentemente. Afastou todos os outros alunos e abriu os botões da camisa do garoto. Correu à sua bolsa e retirou um pequeno frasco de ar, espirrando todo o pouco resto que ainda estava dentro do frasco na boca dele. A tentativa era de que o pouco ar puro do frasco lhe reanimasse até a chegada dos médicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram cinco horas da manhã quando a mãe lhe acordou para ir ao colégio. Ela estava com um ar triste, um pouco cansada. Desanimada, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hoje vamos mais cedo, querido. A mamãe não conseguiu pegar as máscaras de ar lá no postinho público; disseram que não tinha mais, que só vai chegar daqui uma semana... Vamos mais cedo pra não pegar tanta poluição. Toma, põe sua camisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou Pedrinho pela mão e saíram de casa rapidamente. O café tinha sido pouco, então era bom insinuar uma pressa para que a barriga não percebesse a falta e começasse a fazer barulho tão cedo. Havia poucas pessoas na rua e a o clima ficava melhor antes do sol nascer. Não corriam tanto risco por andar sem protetor solar nesse horário, nem de sair sem as botas anti-calor, que não tinham mais. As de Pedrinho já estavam três números menores do que ele calçava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querido, espera a mamãe aqui na hora da saída, tá? O calor vai estar maior e a poluição também. Vou trazer uns paninhos úmidos pra gente ir colocando no nariz até chegar em casa. E vou ver também se nenhuma vizinha tem alguma máscara de ar puro guardada pra te emprestar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E a máscara pra você, mamãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, lindo, não se preocupa com a mamãe não, tá? A mamãe já é grande, olha só. E a mamãe também tá mais acostumada com a poluição. Fica com Deus, querido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marina voltou para casa correndo. O solo estava quente demais para suportar. Não podia caminhar sem nenhum protetor para os pés. Ficou triste pelo filho, lembrando de quando era criança e podia brincar na rua, se jogar no chão, respirar de graça e sem se preocupar. Culpava o governo por não oferecer as máscaras contra a poluição em número suficiente; culpava o governo por não ter estoque de botas anti-calor para todos que não tinham dinheiro para comprá-las; culpava o governo por não recarregarem com  ar puro as máscaras das crianças nas escolas públicas, como era feito nas escolas de elite. Mas tudo isso não lhe fazia se sentir menos culpada por não poder dar a Pedrinho ao menos ar puro, ar puro para que ele pudesse respirar sem prejuízos à sua saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A ambulância chegou – gritaram ao longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino estava desacordado. O pequeno estoque de ar puro que a professora lhe ofereceu não foi suficiente para que Pedrinho não desmaiasse, por não conseguir respirar o ar sem as gotas de purificação que a máscara proporciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diretora carregou o menino ao encontro dos médicos, que também corriam. Todos os alunos estavam juntos, quietinhos, de mãozinhas dadas, olhando para a cena que não entendiam bem. A professora os consolava, sem ao menos se consolar também de verdade. Ela ainda lembrava que quando era criança se falava muito do Protocolo de Kyoto, aquele acordo assinado por alguns países para a diminuição das emissões de gás carbônico e do efeito-estufa global. Naquela época alguns pesquisadores também descobriram que o carbono armazenado no solo começara a ser liberado pela ação mais intensa dos micróbios existentes no solo. E esses micróbios só aceleraram sua atividade por causa do aumento da temperatura dos solos, causada pelo efeito-estufa. Naquela época, tudo isso parecia algo muito distante. Para que se importar com algo que só mudaria a vida do planeta depois de alguns anos? Talvez nem estivesse viva até lá... Era um tempo tão distante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirou sua máscara do rosto. Pensou nas crianças que estudavam em colégios de elite e que tinham intervalos para poderem encher suas máscaras com ar puro. O carregamento custava caro, mas em colégios de elite as recargas diárias eram incluídas na mensalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marina chegara em casa há pouco. As solas dos pés estavam bastante queimadas pelo calor do solo que nesse verão era quase insuportável. Há tempos não sentia o clima tão ruim. Molhou vários paninhos e começou a molhar toda a casa, para tentar de alguma forma amenizar a poluição que respirava sem a proteção das máscaras com reserva de ar puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligou o fogo para preparar o almoço quando bateram à porta. Esmurraram, gritaram, não simplesmente bateram à porta. Que ela fosse pegar o filho no hospital. Ele tivera uma crise. Já estava melhor e precisava desocupar o espaço. Outros esperavam pelo lugar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus pés ardiam, mas saiu correndo para o hospital. Ficava há oito quadras de seu casebre, uma reta só, sem árvores nem sombras para refrescar o caminho. Encontrou o filho à espera na porta da enfermaria, sentadinho com os braços cruzados e a cabeça debruçada entre as pernas, vigiando com medo os passantes. Pegou-o no colo em um único impulso e conferiu se estava tudo bem. Sentou-se a seu lado. Não podiam correr o risco de voltar para casa sem as máscaras, em pleno meio-dia. O ar era praticamente irrespirável. Ficariam abrigados no hospital, onde o ar era purificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocou o filho deitado com a cabecinha em seu colo. Disse que lhe contaria histórias para dormir, pois ficariam ali até a noite chegar. Fez-lhe carinho na cabeça, com lágrimas nos olhos. Ele pediu um abraço, disse que ela era a melhor mãe do mundo e adormeceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112628921877410509?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112628921877410509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112628921877410509&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112628921877410509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112628921877410509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/09/efeito-boomerang.html' title='Efeito boomerang'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112559115468972203</id><published>2005-09-01T12:56:00.000-03:00</published><updated>2005-09-01T13:15:31.276-03:00</updated><title type='text'>De lembranças</title><content type='html'>Recordava ainda muito bem da última conversa, no corredor. Ela carregando sua mochila enorme com cuidado para não acordar ninguém e ele, ainda despertando, com uma pequena garrafa de água nas mãos e uma toalha pendurada no ombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocaram meia dúzia de sussurros como velhos, muito velhos e íntimos amigos fazem, como se os dois tivessem a certeza de que se veriam novamente à noite, quando contariam detalhes do dia e dariam risadas tomando uma cerveja. Ela se despediu e ele voltou para o dormitório, para descansar da noite mal dormida. Ela esqueceu de pedir o contato dele. Ele lembrou de lhe oferecer uns doces para comer durante a viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tchau, boa sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Brigada, pra você também, e boa viagem. Espero que sua dor de cabeça melhore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela saiu e foi pegar o ônibus, não queria se atrasar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, o que você tá fazendo com a perna esticada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não gostava de pés, mas queria tirar uma foto do seu. Era a última foto do filme, precisava queimar de alguma forma. Foi até à porta do quarto e fechou a pequena vidraça para que ninguém no corredor lhe atrapalhasse, mas ele entrou sem ela perceber. E estava do lado da cama dele... O que poderia inventar? Corou. Não conseguia pensar em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou tirar uma foto do quarto, para acabar com o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não se convenceu. Sorriu um sorriso esboçado que aos poucos se transformava no sorriso mais gostoso que ela conseguiu sentir. Convenceu-a a tirar uma foto sua. Duas, três. Era como brincadeira de criança, cada um esperando o outro se distrair para tirar mais uma foto, e outra, e mais outra. A brincadeira foi até tarde. E os sorrisos tão gostosos pareciam cada vez mais antigos, mais sinceros, mais conhecidos. Só paravam quando outro hóspede do mesmo quarto entrava para pegar alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve que abrir o guarda-chuva. A cidade em que nunca chovia amanhecera nublada e as pequenas gotas que escorriam pelo seu corpo lhe traziam uma tristeza pequenininha que aparecia escondida não sabia onde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas borbulhavam nas ruas, onde o vai-e-vem frenético dos ônibus - que ali tinham uma ordem caótica - ilustrava seu caminho até a estação central. Ia admirando cada palavra nas placas do comércio, cada novidade, cada sentimentozinho diferente. Era a primeira despedida de todo aquele desconhecido e alguma coisa talvez sem importância ia mudando dentro dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocaram segredos que só a noite também escutou, em uma língua que só os dois podiam decifrar e que ninguém mais escutaria. Ela não costumava falar sobre o que sentia, nem sobre seus sonhos com qualquer pessoa. Demorava para confiar em alguém, mas sentia que toda a desconfiança ficara para as outras pessoas. Com ele não tinha medo, nem vergonha, nem mesmo insegurança. Todas as palavras pareciam poucas, de tanto que tinham para segredar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As histórias dele a encantavam, assim como sua voz, seu toque, tudo que conheciam, sentiam e tinham de igual. E todas as diferenças. Sentia uma necessidade grande de tomar para si cada história que estava ali no ar, cada suspiro, cada sorriso. Sentia uma necessidade grande de guardar aquilo tudo como seu, como se fosse só seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntou novamente o nome dele, mas ele outra vez não falou por inteiro. E de que importava também? Sabia o início, a interpretação, a tradução. O resto pertencia a um mundo que não era dela, a um sonho que o dia que vinha vindo faria ela não encontrar mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva apertou e a menina, correndo, se escondeu embaixo da plataforma. Já estava quase na hora. Olhou bem atentamente para a cidade, de todos os lados, prometendo um dia voltar lá. Sentia-se bem, diferente, mas tinha uma vontade apertadinha de chorar. Ele agora era apenas uma lembrança e um nome que ela não sabia nem qual era de verdade, guardado num tempo já quase distante. Num tempo tão bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112559115468972203?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112559115468972203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112559115468972203&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112559115468972203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112559115468972203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/09/de-lembranas.html' title='De lembranças'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112474381469142813</id><published>2005-08-22T17:34:00.000-03:00</published><updated>2005-08-22T18:10:16.670-03:00</updated><title type='text'>Em outros tempos</title><content type='html'>&lt;a href="http://noticias.terra.com.br/popular/interna/0,,OI638068-EI1140,00.html"&gt;http://noticias.terra.com.br/popular/interna/0,,OI638068-EI1140,00.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se com a neta para almoçar. Olharam o cardápio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu quero de camarão, disse a menininha ao garçom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E eu quero duas bolas de bacalhau, por favor – pediu a velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O restaurante estava lotado. Com o calor, mais pessoas passavam a apreciar aquele tipo de culinária já consolidado em praticamente todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sabe, querida, quando a vovó tinha a sua idade, ninguém comia sorvete no almoço. A bisa não deixava não. Eu lembro até hoje como mentia pra bisa dizendo que tinha almoçado arroz e feijão quando tinha, na verdade, tomado sorvete de chocolate. Ai, outras épocas. No tempo da vovó sorvete só era doce, sabia? Não dá nem pra imaginar, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A novidade já era antiga demais para que a menininha se surpreendesse com o que a avó acabara de contar. E Lúcia sabia disso. Não podia, no entanto, esquecer do dia em que viu a placa na sorveteria ao lado de sua casa anunciando que agora também podiam comer sorvetes salgados. Fora no ano de 2005. No verão. E naquela época a consistência ainda era bem diferente, mais cremoso, mais macio. E o preço também mudara bastante: só para os ricos, dizia sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se cansava de lembrar todas as vezes em que amigos lhe perguntavam como conseguia comer sorvete de chocolate no lugar do almoço. Por que nunca pensara em responder “porque ainda não inventaram sorvete salgado, com gosto de almoço”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu discretamente, com a idéia tão tardia. Será que seus antigos amigos agora também comiam sorvete de almoço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O de bacalhau – disse o garçom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Para mim, por favor – olhou Lúcia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almoçaram sem pressa e o tempo passou em silêncio. Pediram arroz doce de sobremesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112474381469142813?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112474381469142813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112474381469142813&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112474381469142813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112474381469142813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/08/em-outros-tempos.html' title='Em outros tempos'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112317327580536437</id><published>2005-08-04T13:32:00.000-03:00</published><updated>2005-08-04T13:34:35.810-03:00</updated><title type='text'>Aniversário</title><content type='html'>Hoje eu sinto que cresci bastante&lt;br /&gt;hoje eu sinto que estou muito grande&lt;br /&gt;sinto mesmo que sou um gigante&lt;br /&gt;do tamanho de um elefante&lt;br /&gt;é que hoje é meu aniversário&lt;br /&gt;e quando chega o meu aniversário&lt;br /&gt;eu me sinto bem maior, bem maior&lt;br /&gt;bem maior, bem maior do que eu era antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Aniversário&lt;/em&gt;, Paulo Tatit e Luiz Tatit)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112317327580536437?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112317327580536437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112317327580536437&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112317327580536437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112317327580536437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/08/aniversrio.html' title='Aniversário'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112308217435538405</id><published>2005-08-03T12:13:00.000-03:00</published><updated>2005-08-04T13:42:10.670-03:00</updated><title type='text'>A vaca</title><content type='html'>&lt;a href="http://diversao.terra.com.br/interna/0,,OI614813-EI3615,00.html"&gt;http://diversao.terra.com.br/interna/0,,OI614813-EI3615,00.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou em casa eufórico. Todos estavam almoçando e adorariam a surpresa. Pediu que o carregador entrasse com cuidado, pois a vaca era feita de fibra de vidro, e ele não queria ver nenhuma lasquinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa era ampla e antiga, com uma porta de madeira de mais de três metros de altura. Logo na entrada havia um velho tapete vermelho e quadros com molduras douradas, colocados cuidadosamente separados por toda a extensão do corredor, o que dava ao ambiente um ar pouco descontraído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coloque a vaca aqui, por favor – apontou para o carregador, indicando o final do corredor, de onde se avistava uma grande sala de estar, com um piano de cauda ao centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esposa e a mãe, que almoçavam, saíram depressa do cômodo e correram para a sala, tentando descobrir o porquê da agitação que se instaurara na casa sempre tranqüila e silenciosa. Arrumando os cabelos presos em um coque e a longa saia azul que levantara um pouco com a corrida, Helena não entendeu o que acontecia quando viu o carregador se afastando da sala e avistou aquele bicho colorido. Um pouco atrás, apreciando o objeto com cautela que só quem já ensinou muitas gerações pode ter, a mãe de Bento estava admirada, e cansada pela corrida que ensaiara ao sair da cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E então, o que acharam desta maravilha? – perguntou Bento sem se virar para as mulheres, acariciando sua aquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vaca era branca, do tamanho de um animal natural, com desenhos feitos à mão, por artistas russos. E Bento a adquirira em um leilão, uma perfeita obra de caridade, enfatizava. Todo o dinheiro arrecadado pela venda do objeto seria revertido para a instituição de caridade do município.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helena ficou constrangida. Não deveria contrariar as vontades do marido, mas que excentricidade aquela! Uma vaca? E ao lado de seu lindo piano? Tentou dissuadir Bento da vontade de deixar aquele objeto na sala. Podiam devolver, pois dessa forma a instituição de caridade poderia então vendê-la novamente e mais pessoas seriam beneficiadas pela tamanha bondade do marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De jeito nenhum. Não vou vendê-la por nada. E além do mais, todos em Paris já falam desta maravilha aqui. Você verá como todas as suas amigas comentarão com inveja sobre nossa bela aquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Querela, mãe de Bento, não comentara nada, mas gostara da vaca. Simpatizava com ela. E começou a admirá-la cada vez mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia dona Querela avisou, à hora do almoço, que algo muito ruim aconteceria, alguém levaria grande parte da riqueza de toda a família. Helena e Bento se entreolharam e temeram pela saúde mental de Querela. Agora dera para inventar coisas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, quando se preparavam para o jantar, ouviram um grande alvoroço à porta da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, ei, abram rápido! Seu Bento! Dona Helena! Corram! – gritava um dos empregados da grande casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma desgraça tinha acontecido há poucas horas. O caminhão que levava toda a produção de batatas da fazenda nos últimos quatro meses capotara na estrada. Toda a mercadoria fora saqueada pelos homens locais e o motorista se ferira gravemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente Bento e Helena se entreolharam. Dona Querela espiava ao longe, melancólica, triste. Afastou-se e foi à sala, sentou-se ao lado da vaca, que agora chamava carinhosamente de Cândida. Ela já sabia disso, a vaca lhe avisara de tudo que ia acontecer. E fez-lhe um pedido, porque também sabia que Cândida poderia realizá-lo. Pagaria o preço exigido, mas queria que Bento e Helena tivessem de volta o sustento para os próximos meses. Não podiam perder tão enorme quantia de dinheiro, não teriam nem como comer até a próxima safra, que deveria demorar ainda muito. Acertou o acordo. Seria na manhã seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele frio domingo de junho dona Querela acordou mais triste. O filho pouco notou, devido aos problemas do dia anterior e à preocupação para acertar de alguma forma a situação em que se encontravam. Helena ficou na cama até tarde e esqueceu-se de fazer o almoço para a família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Querela arrastou-se vagarosamente até a sala, apreciando cada retrato pendurado na parede do corredor, lembrando pessoas que já haviam caminhado por ali também lentamente. Aproximou-se de Cândida, confirmou que já estava pronta. Ouviu a campainha. Um banqueiro da cidade se solidarizara e trouxera auxílio para os próximos meses. Levaria a vaca como garantia do pagamento. O pacto estava cumprido. Cândida fizera sua parte e chegara a hora dela. Dona Querela ainda caminhou lentamente até o sofá e acomodou-se ao lado do piano, imaginando seu retrato ao lado direito do corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas férias, Bento e Helena foram para Paris.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112308217435538405?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112308217435538405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112308217435538405&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112308217435538405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112308217435538405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/08/vaca.html' title='A vaca'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112301215063788947</id><published>2005-08-02T18:14:00.000-03:00</published><updated>2005-08-03T09:00:55.980-03:00</updated><title type='text'>De alguma poesia...</title><content type='html'>&lt;p&gt;Preso à minha classe e a algumas roupas,&lt;br /&gt;vou de branco pela rua &lt;span style="color:#000000;"&gt;cinzenta&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Melancolias, mercadorias, espreitam-me.&lt;br /&gt;Devo seguir até o enjôo?&lt;br /&gt;Posso, sem armas, revoltar-me?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos sujos no relógio da torre:&lt;br /&gt;Não, o tempo não chegou de completa justiça.&lt;br /&gt;O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.&lt;br /&gt;O tempo pobre, o poeta pobre&lt;br /&gt;fundem-se no mesmo impasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vão me tento explicar, os muros são surdos.&lt;br /&gt;Sob a pele das palavras há cifras e códigos.&lt;br /&gt;O sol consola os doentes e não os renova.&lt;br /&gt;As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas em ênfase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vomitar este tédio sobre a cidade.&lt;br /&gt;Quarenta anos e nenhum problema&lt;br /&gt;resolvido, sequer colocado.&lt;br /&gt;Nenhuma carta escrita nem recebida.&lt;br /&gt;Todos os homens voltam pra casa.&lt;br /&gt;Estão menos livres mas levam jornais&lt;br /&gt;e soletram o mundo, sabendo que o perdem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crimes da terra, como perdoá-los?&lt;br /&gt;Tomei parte em muitos, outros escondi.&lt;br /&gt;Alguns achei belos, foram publicados.&lt;br /&gt;Crimes suaves, que ajudam a viver.&lt;br /&gt;Ração diária de erro, distribuída em casa.&lt;br /&gt;Os ferozes padeiros do mal.&lt;br /&gt;Os ferozes leiteiros do mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.&lt;br /&gt;Ao menino de 1918 chamavam anarquista.&lt;br /&gt;Porém meu ódio é o melhor de mim.&lt;br /&gt;Com ele me salvo&lt;br /&gt;e dou a poucos uma esperança mínima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma flor nasceu na rua!&lt;br /&gt;Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.&lt;br /&gt;Uma flor ainda desbotada&lt;br /&gt;ilude a polícia, rompe o asfalto.&lt;br /&gt;Façam completo silêncio, paralisem os negócios,&lt;br /&gt;garanto que uma flor nasceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua cor não se percebe.&lt;br /&gt;Suas pétalas não se abrem.&lt;br /&gt;Seu nome não está nos livros.&lt;br /&gt;É feia. Mas é realmente uma flor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde&lt;br /&gt;e lentamente passo a mão nessa forma insegura.&lt;br /&gt;Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.&lt;br /&gt;Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.&lt;br /&gt;É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(&lt;em&gt;A Flor e a Náusea&lt;/em&gt;, Carlos Drummond de Andrade)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112301215063788947?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112301215063788947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112301215063788947&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112301215063788947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112301215063788947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/08/de-alguma-poesia.html' title='De alguma poesia...'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112307041138210240</id><published>2005-08-01T08:55:00.000-03:00</published><updated>2005-08-03T12:12:47.846-03:00</updated><title type='text'>Guerra</title><content type='html'>Pessoas correndo&lt;br /&gt;Homens-bomba&lt;br /&gt;caindo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhares dispersos&lt;br /&gt;Confusos&lt;br /&gt;tristes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras sinistras&lt;br /&gt;Falsas&lt;br /&gt;palavras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barulhos constantes&lt;br /&gt;Intensos&lt;br /&gt;voando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fogo, fumaça&lt;br /&gt;Destruição&lt;br /&gt;morte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choro, dor&lt;br /&gt;Desilusão&lt;br /&gt;vida?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112307041138210240?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112307041138210240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112307041138210240&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112307041138210240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112307041138210240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/08/guerra.html' title='Guerra'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112308781410055864</id><published>2005-07-26T13:48:00.000-03:00</published><updated>2005-08-03T13:50:14.100-03:00</updated><title type='text'>Sobre o olhar</title><content type='html'>Odeio os chats de conversação por computador. É como se me colocassem diante de uma pessoa para que eu conversasse com ela de olhos vendados, sem sequer ouvir sua voz... E me dessem de consolo bilhetinhos com suas frases... Não, ainda não cheguei a esse ponto de estupidificação mental... Não posso imaginar conversar com alguém sem ver seus olhos, que para mim são muito mais do que órgãos de visão. São órgãos de imersão... São como o inverso do periscópio, tal qual os jogos de lentes cruzadas e diagonais de um microscópio, que me permitem entrar na invisibilidade de um tecido, de um plasma, de microfatia dérmica. Pelos olhos eu vejo em você uma tristeza interior, uma melancolia mesclada com uma vontade terna mas impotente de se exprimir; pelos olhos eu vejo nessa outra pessoa uma ternura solitária, um silêncio interior brando, uma resistência às investidas de todos aqueles que querem torná-la igual aos outros... Pelos olhos eu vejo, em mais essa outra pessoa, as transformações de seu ser, os mesmos olhos que tempos atrás passavam um orgulho vaidoso, indiferente, até mesmo arrogante, hoje denunciam uma incerteza, um olhar inseguro de quem sofreu, se dobrou, teve de refazer a vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Odeio a Internet&lt;/em&gt;, de Ciro Marcondes Filho - Revista USP)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112308781410055864?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112308781410055864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112308781410055864&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112308781410055864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112308781410055864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/07/sobre-o-olhar.html' title='Sobre o olhar'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112307235364715671</id><published>2005-07-20T17:30:00.000-03:00</published><updated>2005-08-03T13:39:01.213-03:00</updated><title type='text'>De excentricidades...</title><content type='html'>&lt;a href="http://br.news.yahoo.com/050720/5/vux3.html"&gt;http://br.news.yahoo.com/050720/5/vux3.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bule gigante entrara em ebulição. Nunca pensara que a cena fosse possível, nem que alguém fosse capaz de tamanha covardia e maldade. Pedro se convertera à religião do bule gigante há cinco anos, quando seu melhor amigo foi curado de fortes dores no peito pela ação terapêutica do templo, em forma de bule.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Malásia eram conhecidas as formas orientais de tratamento de doenças melhor do que em qualquer lugar. Todos os conhecimentos do mundo oriental na arte de tratar o corpo e a mente de formas naturais haviam se convergido para aquela região do mundo. Isso era o que sempre ouvia dizer, mas o que via na prática eram grandes amigos seus morrendo sem atendimento ou sem um medicamento que fosse capaz de lhes tirar as dores da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que presenciou alguma transformação verdadeira foi quando seu melhor amigo se viu curado, definitivamente curado, daquela dor aguda no peito, crônica pelos anos de existência e de sofrimento proporcionado. E tudo graças à ação benéfica do bule gigante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cátedra fora criada alguns anos antes, no centro da Malásia, cerca de sua casa, em meio às frondosas árvores e à vista de altas montanhas que rodeavam o lugar. Pedro sempre achara o local muito diferente, colorido, lhe encantava. O bule era pintado à mão, como um artesanato daqueles usados pelas donas de casa mais tradicionais para preparar o chá da tarde do marido que assiste à televisão no domingo à tarde. Era principalmente de cores quentes, com recortes geométricos em vermelho e amarelo, tendo como coloração principal um marrom bem clarinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da curiosidade, nunca havia entrado na cátedra, nem contara a ninguém sobre sua admiração pelo prédio escultural. Mas seu melhor amigo percebia o que lhe passava na mente. E era o primeiro a desconfiar. Nunca levaria a sério uma religião que tinha como templo e adorava um bule gigante com poderes curadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apostaram. Nada aliviava as dores no peito de Thiago. Se o bule funcionasse, se converteriam àquela doutrina. A aposta iria completar cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois estavam juntos apreciando com ardência as chamas que consumiam o bule. As cores quentes e o calor do incêndio lhes enchiam o coração de mágoa, de ódio, de vingança. Ouviam burburinhos e risadas à volta. Poucos se importavam com a destruição de tão importante patrimônio da humanidade. Sim, porque qualquer pessoa, daquelas que riam às gargalhadas poderia se beneficiar dos efeitos curadores do bule. Pobres coitados, pensava Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bombeiros demoraram a chegar. As chamas já consumiam a semi floresta que rodeava a cátedra. Da casa de Pedro se sentia o calor e a fumaça elevada pelos ventos. No ar, só se sentia o cheiro de destruição. Tudo estava preto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112307235364715671?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112307235364715671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112307235364715671&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112307235364715671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112307235364715671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/07/de-excentricidades.html' title='De excentricidades...'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112307101072776509</id><published>2005-07-12T09:03:00.000-03:00</published><updated>2005-08-03T09:10:10.726-03:00</updated><title type='text'>Mare Orientale</title><content type='html'>O que dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que teu cheiro continuaria em minhas mãos&lt;br /&gt;Se não houvesse água e necessidade de tomar banho?&lt;br /&gt;Que teu sorriso interminável continua na memória,&lt;br /&gt;Resistindo contra o esquecimento resultante de lugares à meia-luz?&lt;br /&gt;Nem insistirei em bater-me com tal limitação, pois nada&lt;br /&gt;Do que dissesse alçaria vôo a ponto de superar lembranças:&lt;br /&gt;Dias de chuva, seguidos dum domingo luminoso, do cheiro&lt;br /&gt;Da carne, sons sonhados nos ouvidos toda noite.&lt;br /&gt;A sensação de novamente descobrir um continente,&lt;br /&gt;O riso para sempre perdido num canto de lábio.&lt;br /&gt;Penas de pássaro em tua nuca, e pés, e covas.&lt;br /&gt;Covas sobre a anca inesquecível.&lt;br /&gt;Sem que nuncacabe.&lt;br /&gt;Nuncacabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(de Joca Reiners Terron)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112307101072776509?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112307101072776509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112307101072776509&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112307101072776509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112307101072776509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/07/mare-orientale.html' title='Mare Orientale'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112301791762210439</id><published>2005-07-01T18:19:00.000-03:00</published><updated>2005-08-02T18:28:55.580-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Na escuridão, perguntei se ele sabia o quanto o amava&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;(Frase de Bertolucci escrita para Marlon Brando)&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;A discussão era interminável e recorrente. Sabia que sempre que algo não andava bem ela seria o alvo das brigas e sofreria com os gritos e palavras ofensivas que os dois bradavam dentro de quatro paredes. Chorava compulsivamente, berrava. Colocou-se em frente à porta para que ele não pudesse sair. Todos na casa choravam, ela sabia. Mas não podia conter-se. A situação já era irremediável.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Pensava em se matar, em quebrar todos os vidros da casa, chamar os vizinhos que espiavam pelas frestas de suas janelas para gritar que aquilo não importava a ninguém e que todos fossem à merda. Tinha ódio das pessoas, tinha ódio das relações que conseguia estabelecer com as pessoas. Amava muito, talvez não soubesse expressar que amava, talvez nem amasse de verdade, talvez não amasse nem a si mesma.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Agora estavam deitados e ela pensava em tudo que haviam dito. O quarto era amplo, uma pequena corrente de ar lhe arrepiava em intervalos pequenos, uma luz escassa lhe permitia ver suas sombras na parede também escura. Sentia um aperto no peito, daqueles que lhe angustiavam quando tinha vontade de chorar. Agora não era mais raiva, mas um sentimento de culpa – pelos dois – de não saber parar quando chegara a hora, de dizer tudo que vinha à boca sem antes pensar em não magoar, de esconder o que sentia verdadeiramente. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Ele dormia, ela sentia sua respiração perto ao peito. Queria acordá-lo, mas seu sono parecia perene, tranqüilo, diferente da pessoa com quem acabara de discutir. Lembrou da vez em que ela dormia e ele lhe deu flores; colocou o presente ao seu lado na cama e lhe acordou com um beijo. Ela se assustara, mas não recebia provas de carinho costumeiramente. Amava-o. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Sua respiração a excitava, olhou mais uma vez para ele, tinha certeza de que estava dormindo. Acordou-o. As luzes que lhe permitiam ver suas sombras na parede tinham se enfraquecido. Na escuridão, perguntou se ele sabia o quanto o amava.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112301791762210439?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112301791762210439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112301791762210439&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112301791762210439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112301791762210439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/07/na-escurido-perguntei-se-ele-sabia-o.html' title=''/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112301972791709545</id><published>2005-06-30T18:53:00.000-03:00</published><updated>2005-08-03T09:01:32.603-03:00</updated><title type='text'>Ensaio - primeira parte</title><content type='html'>&lt;em&gt;Sentaram-se em torno da mesa para apresentar o discurso criado. Era claro o nervosismo. Encontravam-se ali jornalistas, consultores políticos, economistas, sociólogos e, claro, a cúpula do partido. A candidatura estava mal e os índices de aceitação pela população da zona rural tinham despencado. Primeiro, explicaram quais os pontos levados em consideração para montar o discurso: as pesquisas diziam que os eleitores queriam um candidato que lhes assegurasse emprego. Para todos, alguns milhões. Eles se entreolharam. O clima de tensão aumentava, sabiam que era impossível garantir trabalho a todas aquelas pessoas. Passaram à leitura do texto. Ótima argumentação, boa dicção, perfeito para convencer os eleitores. Aplaudiram. A eleição estava ganha certamente. Mas e os empregos, como fariam para conseguir tantas vagas depois da votação? Alguém sussurra do canto da mesa: “nisso pensamos depois. É só criar outro discurso”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os discursos políticos dos candidatos na atualidade, muitas vezes, longe de refletir a ideologia dos partidos e suas plataformas de governo, buscam acima de tudo interpretar os desejos da população, tentando convencê-la de que concretizarão suas aspirações. Para isso utilizam, entre outras técnicas, dados de pesquisas de opinião que avaliam quais as principais expectativas do eleitorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Eugênia Sarah Paesani, socióloga especializada em pesquisas de marketing e de comunicação, a prática é muito freqüente. “Se não há coincidência entre o que está escrito no discurso e o que representa a posição do político, utilizar a pesquisa apenas para ver o que a população quer e apresentar essa informação como plataforma do político, sem ser sua ideologia, é enganação”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoje, com o advento das pesquisas eleitorais, você consegue informações certas sobre o que a população precisa. Assim você tem condições de escrever um discurso que alcance o que a população espera ouvir”, esclarece Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manipulação de resultados de pesquisas é perigosa principalmente para a população menos esclarecida e, por esse motivo, mais facilmente influenciada. “Na sociedade contemporânea o poder já não se exerce pela repressão, mas pela manipulação mental dos grupos dominados, de tal forma que estes aceitam as relações de poder como algo natural”, explica José Matias Pereira, professor de Ciência Política da Universidade de Brasília.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112301972791709545?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112301972791709545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112301972791709545&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112301972791709545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112301972791709545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/06/ensaio-primeira-parte.html' title='Ensaio - primeira parte'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112301889720619684</id><published>2005-06-20T18:43:00.000-03:00</published><updated>2005-08-03T09:01:53.666-03:00</updated><title type='text'>Nada mal</title><content type='html'>&lt;p&gt;Tanta gente feliz por aí e eu sempre correndo atrás dos mesmos erros. Pra que prometer se eu sempre descumpro minhas próprias promessas? É só prometer e pronto! Alguma força sobrenatural me faz querer o que havia prometido não querer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso deve ter alguma explicação científica. Qualquer dia vão provar, em alguma daquelas teses de universidades inglesas, que você só promete a si mesmo o que sabe que não vai cumprir. Tenho certeza de que isso é controlado por genes. Quem sabe não serei eu mesma que publicarei, na BBC Brasil – meu sonho de consumo – uma matéria dizendo que os genes que controlam nosso desejo de prometer algo nos aumentam o desejo por essas mesmas coisas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já sei! Prometo que nunca mais prometo nada a mim mesma. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;E que intenso é esse desejo de não levar a sério o que prometi com tanta ênfase há tão pouco tempo. Parece que não me preocupo com o que vou sentir depois, que vivo apenas o momento. Sei que não é assim. O mundo não é assim. Tudo que acontece modifica, alegra, irrita, não passa incólume. E sei que descumprir promessas pode ser perigoso. Nunca tive tanta vontade de arriscar! Prometo que vou saber quando parar!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112301889720619684?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112301889720619684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112301889720619684&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112301889720619684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112301889720619684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/06/nada-mal.html' title='Nada mal'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112301872795300212</id><published>2005-06-19T18:38:00.000-03:00</published><updated>2005-08-03T09:02:26.223-03:00</updated><title type='text'>Segredo</title><content type='html'>- Segredo, juro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jura mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, ai, ai. Já não prometi? É segredo. Pode ficar tranqüila, vai. Fala!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência era interessante. Ninguém saberia quem era o dono daquelas histórias de paixão, de medo, de aventura. Clara se sentia assim mais calma, como limpa de uma vida que escondera por tanto tempo. Tantos anos pensando a quem revelar aquelas ações tão repugnadas pela sociedade – pelo menos acreditava que a sociedade repugnaria tudo aquilo – e em algumas horas se sentia tão mais bonita, tão pronta para ela mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava com uma saia preta rodada e um cachecol que naquele dia lhe servia como xale. Cerca de cinco centímetros mais alta do que era, por conta do salto. Seu rosto estava magnífico, resplandecente, e seus olhos brilhavam com um toque suave da água salgada que lhe borrava o lápis. Estava linda, como poucas vezes em toda a sua vida. E sabia que agora tinha para quem mostrar toda a sua beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou mais uma vez no que ia dizer, para não faltar nenhum detalhe na hora em que decidisse revelar tudo. Retocou a maquiagem e percebeu que chegara a hora. Colocou o espelho um pouco curvado no chão, frio, como estava frio. Sentou-se e reclinou um pouco a cabeça, porque assim ficava mais bonita. Sentiu uma gota vinda de seus olhos e que caíra sobre a saia. Chorou. Era a primeira vez que conseguia revelar a si mesma o que teimava tanto em não acreditar. Não podia mais... Chega! É segredo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112301872795300212?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112301872795300212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112301872795300212&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112301872795300212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112301872795300212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/06/segredo.html' title='Segredo'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15047877.post-112301924654694689</id><published>2005-06-07T16:46:00.000-03:00</published><updated>2005-08-03T09:02:55.440-03:00</updated><title type='text'>Na hora de tirar a maquiagem</title><content type='html'>Guardou com cuidado as roupas no armário já roto, remoído por cupins e pintado com ar de luxo. Há anos repetia a ação, mas com a mesma obstinação com que cuidara dos trajes pela primeira vez. Sacudia-os e tinha atenção para que nenhuma parte ficasse amassada. Um cheiro bom de passado invadia o cômodo cada vez que abria o armário. Daqueles cheiros de madeira antiga, que parecem guardar parte da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se na poltrona, que nunca antes tinha sentido sua presença. Era só para os outros... Mas precisava se dar esse luxo uma única vez e esse era o dia. Sentiu o cheiro da fumaça dos cigarros e o barulho dos últimos clientes que pagavam suas contas. Colocou na boca um final de cigarro esquecido em cima da penteadeira, para passar o tempo. Deliciou-se com as formas que podia produzir no ar. Ele podia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os músicos já tinham se despedido. Guardava agora o traje do saxofonista, seu preferido. A serenidade da roupa contrastava com o cômodo repleto de luzes coloridas, de cartazes de apresentações antigas, dos sapatos reluzentes usados pelas dançarinas que também se utilizavam daquele camarim. O carpete era o mesmo de quando começara a trabalhar lá e as marcas de bebida estampadas na lã mostravam um pouco da sua história. O espelho gasto refletia sua cara também marcada pela idade, a mesma que consumia o ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podia guardar o traje outra vez. Não era isso que queria. Faltava-lhe coragem; por que nunca faria o que sempre sonhou? Deu mais uma tragada e percebeu que os clientes já haviam saído. Ouvia o ruído dos carros e das conversas do lado de fora. Sentou-se mais uma vez na poltrona. Colocara o traje na cadeira à sua frente, ao lado da penteadeira. Sentiu aquele instante como único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviu passos, que não distinguia de onde partiam. Pulou de repente ao sentir que batiam à porta e jogou o traje para dentro do armário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, João, você ainda está aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não esquecera de apagar as luzes. Orgulhava-se disso. Trancara a porta e sabia que não perceberiam sua presença se esperasse em silêncio por mais alguns instantes. Paulo gostava de ir cedo para casa e não voltaria para bater à porta outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recompôs sua expressão fatigada e sabia que agora era a hora. Os trajes eram seus, o camarim era seu, o espelho, os sapatos, a poltrona... ah, a poltrona; tudo era só seu. Jogou a bituca de cigarro no chão. Seria mais uma marca na lã já corroída do carpete. Mas essa ninguém veria. Tinha certeza disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou o isqueiro. Não encontrou outro cigarro. Queria mais um trago pra lhe dar coragem. Pegou cuidadosamente o traje do saxofonista. Era seu número, sempre soube disso. Ficaria perfeito. Acendeu o isqueiro e cuidadosamente, como sempre cuidara de tudo aquilo que nunca fora seu, aproximou a chama do traje. O colorido do camarim ficou superficial com as chamas, que consumiam uma vida inteira. Ainda com cuidado colocou o traje na poltrona, os dois agora de um vermelho intenso. Sentou-se na cadeira em frente à penteadeira. E começou a tirar a maquiagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15047877-112301924654694689?l=algumaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://algumaprosa.blogspot.com/feeds/112301924654694689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15047877&amp;postID=112301924654694689&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112301924654694689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15047877/posts/default/112301924654694689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://algumaprosa.blogspot.com/2005/06/na-hora-de-tirar-maquiagem.html' title='Na hora de tirar a maquiagem'/><author><name>Lúcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13049862617671995354</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
